Como o valor do seu negócio pode ser impactado pelo aumento da taxa de juros em 2022?

O aumento da taxa de juros em 2022, em conjunto com o cenário de pandemia, trouxe consigo uma série de incertezas para o mercado brasileiro e motivou difíceis tomadas de decisão pelas empresas. Isso porque muitas delas, diante desse contexto, não vislumbraram a possibilidade de recuperação e passaram a considerar o encerramento de suas atividades.

Às instituições que permanecem ativas, entretanto, fica o alerta sobre a importância de avaliar o valor do negócio e como este vem sendo influenciado pela alta de juros. 

Por outro lado, é natural que os gestores tenham dúvidas ao se debruçar sobre essa análise para prevenir consequências mais graves. Pensando nisso, elencamos alguns tópicos explicativos sobre os impactos do aumento da taxa de juros nas empresas. Não deixe de conferir!

Por que se preocupar com o aumento da taxa de juros?

Antes de adentrar no impacto da alta de juros no valor do negócio, vale ressaltar a necessidade de os gestores estarem atentos à política monetária no país, ou seja, ao conjunto de medidas adotadas com o intuito de promover o controle da circulação de moeda e, portanto, da inflação, dos preços no mercado, etc.

A Selic é a taxa básica de juros da economia. É o principal instrumento de política monetária utilizado pelo Banco Central para controlar a inflação. Ela influencia todas as taxas de juros do país, como as taxas de juros dos empréstimos, dos financiamentos e das aplicações financeiras.

A taxa Selic se refere à taxa de juros apurada nas operações de empréstimos de um dia entre as instituições financeiras que utilizam títulos públicos federais como garantia. O Banco Central opera no mercado de títulos públicos para que a taxa Selic efetiva esteja em linha com a meta da Selic definida na reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom).

Afinal, são decisões que interferem na economia nacional e geram impactos significativos para as empresas brasileiras. Uma redução da taxa Selic, por exemplo, diminui o custo de captação dos bancos, que tendem a emprestar com juros menores, e isso estimula o consumo. Nesse sentido, podemos observar que, sob taxas de juros baixas, a economia pode demonstrar aquecimento em razão do barateamento do crédito, do favorecimento da tomada de recursos para investimentos e do aumento do consumo familiar, por exemplo. 

Em contrapartida, o aumento significativo e brusco da taxa Selic observado recentemente encarece o custo do crédito e desestimula as atividades econômicas e o consumo, favorecendo a queda da inflação.

Qual é a previsão para a taxa de juros neste ano de 2022?

Agora que já se sabe da importância de estar atento ao impacto da taxa de juros nas empresas brasileiras, vamos conferir o cenário atual de 2022. Vale observar que, entre agosto de 2020 e março de 2021, a Selic atingiu o menor patamar da história, ficando em, aproximadamente, 2% ao ano. 

A redução levou em conta, especialmente, a diminuição da atividade econômica no país durante a pandemia e teve o intuito de estimular o crédito e o consumo. 

No entanto, com o aumento gradual da inflação nos últimos meses, a Selic foi elevada a 9,25% ao ano na última reunião do Comitê de Política Monetária (“Copom”) do ano de 2021. Na mais recente reunião do Copom, realizada nos dias 1 e 2 de fevereiro de 2022 (e a primeira do exercício de 2022), a taxa Selic sofreu novo aumento e foi elevada a dois dígitos pela primeira vez em cinco anos, atingindo 10,75% ao ano. Essa é a oitava alta consecutiva observada desde março de 2021.

Ainda, conforme projeções de mercado divulgadas pelo Banco Central, 2022 segue com a mesma tendência de alta, sendo que, ao longo do ano, a Selic pode alcançar o patamar de 11,75% ao ano, conforme divulgado no mais recente relatório Focus-BACEN, de 28 de janeiro de 2022. No entanto, o mesmo relatório apresenta uma tendência de queda para os anos seguintes, com projeção da Selic de 8% ao ano em 2023 e 7% ao ano em 2024 e em 2025.

Para 2022, a meta de inflação a ser perseguida pelo Banco Central, definida pelo Conselho Monetário Nacional, é de 3,5% ao ano, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Ou seja, o limite inferior é 2% e o superior, 5%.

O contexto econômico de indicadores deteriorados, como o da atividade industrial, inclui um mercado de trabalho em lenta recuperação, com alta informalidade e salários mais baixos, além de um novo impacto da pandemia da Covid-19, com recordes de contágios em janeiro de 2022.

Como mitigar os impactos no fluxo de caixa?

Agora, confira algumas práticas recomendáveis para mitigar impactos no fluxo de caixa e a perda de valor do seu negócio!

Revise contratos ativos

Caso a sua empresa tenha empréstimo, financiamento ou outro tipo de crédito contratado, deve ser feita uma análise de riscos e oportunidades relacionados ao nível de endividamento e perfil de dívida, pois, por exemplo, se houver caixa disponível, pode ser vantajoso antecipar parcelas vincendas da dívida com o objetivo de reduzir custos futuros. 

Uma alternativa é renegociar com as instituições financeiras para avaliar as condições contratuais da dívida captada ou até seguir com a portabilidade do endividamento para outra instituição que ofereça condições melhores de taxas reduzidas ou pré-fixadas dado o cenário atual.

Avalie a necessidade de reajuste

Para evitar a perda de valores ao longo do ano, acentuando os impactos no fluxo de caixa, é importante avaliar a necessidade de reajuste no valor do produto ou serviço, sempre analisando a curva de oferta x demanda. 

Afinal, diante do aumento da taxa de juros, o valor dos insumos e processos tendem a aumentar, o que pode ocasionar uma redução de margem caso o preço de venda não seja revisto.

Realize projeções

Como última dica, entre as várias pertinentes à gestão dos fluxos de caixa, é importante realizar projeções de longo prazo. A partir da expectativa de receita e da revisão de custos, por exemplo, é possível antever desafios e traçar um planejamento estratégico para manter o valor do negócio. 

Ainda, cabe destacar o impacto direto que o aumento da Selic pode causar no resultado do valuation de uma empresa. Na Abordagem da Renda, na ótica do fluxo de caixa descontado, entende-se como valor da empresa o somatório de todos os benefícios monetários futuros que pode oferecer ao seu possuidor (valores futuros convertidos a valor presente por uma taxa apropriada). 

Nesses casos, seguem duas visões que devem ser analisadas na relação dos juros com a taxa apropriada e o fluxo de caixa projetado:

Antes de entrar nas análises, cabe destacar que um valuation (equity value) pela metodologia do fluxo de caixa da firma deve ser igual ao do fluxo de caixa do acionista.

Projeção na ótica da firma (não são projetados efeitos de receitas e despesas financeiras)

O avaliador deverá utilizar como taxa apropriada o WACC (custo médio ponderado de capital). O WACC pondera o custo médio de capital próprio (Ke) com o custo do capital de terceiros (Kd). 

O custo de capital de terceiros pode ser interpretado pelo custo de captação da dívida da empresa com, por exemplo, instituições financeiras. Ocorre que, quanto maior for a SELIC, maior será o valor que a instituição financeira negociará pelo empréstimo a ser realizado.

Assim, a taxa de desconto da empresa terá um Kd maior, o que fará com que seu valor de mercado, frente a um retorno/risco esperado maior, acabe caindo. 

Nesta metodologia, uma vez que o montante (principal) não foi considerado na projeção e apenas seus juros compuseram o racional da taxa de desconto, deve-se somar o valor total dos empréstimos ao resultado do valor presente do fluxo de caixa para chegar ao equity value.

Fluxo de caixa do acionista

Neste caso, utiliza-se o custo médio de capital próprio (Ke) como a taxa de risco apropriada, e o efeito das receitas e despesas financeiras é refletido diretamente no fluxo de caixa para o cálculo do equity value

Para tornar claro, na projeção do fluxo de caixa desta metodologia, deve-se considerar o montante do pagamento de empréstimos e os seus respectivos juros. 

Além disso, em um contexto de um empréstimo captado por um CDI, por exemplo, o fluxo de caixa sofrerá um impacto maior em seu resultado enquanto os juros estiverem na casa dos 10% do que quando estavam na casa dos 2%.

Ao fim, conclui-se que em ambas as metodologias é possível aferir que o resultado da avaliação será menor enquanto houver uma taxa de juros maior.

Para finalizar…

O aumento da taxa de juros em 2022 trouxe uma série de preocupações para os gestores, especialmente no que diz respeito à perda do valor da empresa no mercado. 

Diante desse contexto, a contratação de um serviço de Business Valuation pode ser um bom investimento para o negócio, de forma a direcionar decisões estratégicas mais acuradas para as empresas.

A Apsis conta com uma equipe especializada para examinar os valores de mercado do seu negócio e apoiar a tomada de decisão para uma gestão das empresas.

Agora que você já sabe como o valor do seu negócio pode ser impactado pela taxa de juros atual, complete a sua leitura e descubra se vale a pena contratar uma consultoria externa para realizar o valuation da sua empresa!

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