De Olho nos Intangíveis

(Luiz Paulo Silveira | Superintendente Técnico da Apsis)

O bilionário caso Apple x Samsung, que explodiu recentemente na mídia, marcou de forma contundente a cabeça dos executivos financeiros. Afinal, uma indenização de 1 bilhão de dólares, deferida em prazo recorde, acende um sinal de alerta sobre o modo como conduzimos a gestão dos ativos do nosso negócio.

Foi-se o tempo em que valíamos o quanto pesávamos. O que vale hoje não tem peso. Nem forma. Tampouco cheiro ou cor. Nossos sentidos, enfim, não conseguem mais captar a essência dos principais ativos operacionais no mundo contemporâneo dos negócios. Foi-se o tempo em que avaliávamos as empresas pelos seus imóveis, máquinas, estoques e dinheiro em caixa. E nem faz tanto tempo assim! Na década de 60, as empresas eram compradas e vendidas pelo seu patrimônio tangível, mais um pequeno prêmio pelo seu “fundo de comércio”. Daí a importância, na época, no desenvolvimento de técnicas de gestão de ativos voltadas para o controle do capital de giro (gestão do caixa, estoques, fornecedores, produção, etc.) e do imobilizado (gestão do patrimônio imobiliário e gestão do ativo fixo). Este foco na gestão dos ativos de existência física pela contabilidade durou ate a década de 80 nos EUA, e até a virada do século no resto do mundo. A revolução da TI e aceleração da globalização econômica estimularam a mudança de foco no mundo.

Temos um novo foco de gestão e controle hoje na contabilidade. Os mercados financeiros comunicam-se mundialmente em tempo real. Empresas são compradas e vendidas com o apertar de uma tecla. Os ganhos exigidos pelos investidores de hoje não são mais o patrimônio tangível a valor de mercado mais um pequeno prêmio: a velocidade e volume das transações tornaram-se incompatíveis com a limitação destes recursos tangíveis, obrigando o mercado a olhar para o invisível: o futuro. E chegamos ao mundo de hoje, onde os prêmios das transações financeiras mudaram de endereço. Agora, estes prêmios encontram-se fundamentados nas perspectivas de rentabilidade futura de um negócio.

Estamos na era da gestão dos intangíveis. Bem, se o foco mudou, é razoável supor que o foco da gestão e controle na contabilidade tenha mudado também. Se você chegou a esta conclusão antes de ler este parágrafo, parabéns executivo financeiro, você está certo! Da mesma forma que emplaquetamos nossos ativos imobilizados, de forma a torná-los rastreáveis e auditáveis, os ativos intangíveis também necessitam de um sistema de gestão que efetue  seu monitoramento. Um sistema de gestão eficiente diminui o risco associado ao ativo intangível, que por natureza já e maior que o risco associado aos ativos tangíveis. Gerindo o seu ativo intangível de forma eficaz, você aumenta o seu valor de mercado e consequentemente o da sua empresa. Reflita sobre isso!

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