Abril Educação recebe R$ 226 milhões

Cerca de um mês após a aquisição do Anglo, a Abril Educação mostra que está com apetite para crescer. A empresa focada na área de ensino, da família Civita, fechou um aporte de R$ 226,2 milhões com o fundo de private equity da BR Investimentos, do economista Paulo Guedes.

Segundo o Valor apurou, o fundo adquiriu uma participação de pouco menos de 25% do capital da Abril Educação, que desde janeiro é uma empresa separada da editora Abril. Com isso, os Civita mantêm o controle com cerca de 75% da empresa, que também é dona das editoras de livros didáticos Ática e Scipione, além dos sistemas de ensino Anglo e SER. A soma desses quatro negócios gera para a Abril Educação uma receita de aproximadamente R$ 500 milhões e lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (lajida) de R$ 150 milhões.

Os recursos do novo aporte serão usados para expansão orgânica e para aquisições da Abril Educação que está de olho em três segmentos: sistemas de ensino, cursos de idiomas e profissionalizantes. A empresa está investindo ainda em plataformas tecnológicas para ensino à distância (EAD).

"Estamos avaliando neste momento várias oportunidades de aquisição e também estamos abertos a novos aportes, mantendo a família Civita como majoritária na operação", disse Manoel Amorim, novo presidente da Abril Educação, executivo com passagens pela americana Laureate e Ponto Frio.

"Nossa meta é ser líder na área de ensino nos próximos cinco anos", acrescentou Amorim, que participou ativamente da compra do Anglo, ao lado de fortes grupos internacionais, como a britânica Pearson e a espanhola Santillana. O mercado estima que a Abril Educação tenha desembolsado algo em torno de R$ 620 milhões pelo Anglo, considerada uma grife entre os sistemas de ensino.

A Abril Educação é o terceiro negócio da BR Investimentos no setor de ensino. A aquisição foi feita por meio dos fundos BR Educacional FIP e FIP Brasil de Governança Corporativa. Os fundos da gestora do economista Paulo Guedes já investiram na HSM, empresa de eventos corporativos como ExpoManagement, e na carioca Affero que dá treinamento profissional. O capital comprometido da BR Investimentos é de R$ 360 milhões.

A área de educação, em especial as empresas que atuam com sistemas de ensino, vem sendo palco de grandes transações. Um dos motivos que têm gerado esse interesse é a margem de retorno de cerca de 50%.

Na semana passada, a empresa de private equity Buffalo anunciou a assinatura de uma carta de intenções para compra do Universitário e a criação de um fundo de investimento em participações com empresas do setor.

No mês passado, dez dias após a compra do Anglo pela Abril Educação, a inglesa Pearson fechou a compra dos sistemas de ensino do SEB (COC, Dom Bosco e Pueri Domus) por R$ 888 milhões – o que representou a maior transação do setor de educação no país.

O ponto em comum entre as empresas envolvidas nessas negociações é que elas querem crescer também em outras áreas da educação, não se restringindo apenas aos tradicionais sistemas de ensino, conhecidos por suas apostilas e treinamento de professores. Elas vislumbram, além da área pública, outros segmentos como escolas de idiomas, cursos profissionalizantes e preparatórios para concursos públicos. A aquisição do Anglo pela Abril Educação, por exemplo, também envolveu o curso preparatório para concurso público do Anglo.

(Beth Koike | Valor)
 

 

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