Acionistas da Eldorado Brasil e da Florestal avaliam fusão e IPO

Os acionistas da Eldorado Brasil, fabricante de celulose em fase de construção em Três Lagoas (MS), e da Florestal Brasil, que investe em áreas de reflorestamento, estão debruçados sobre estudos de avaliação financeira com vistas à fusão de suas operações. A nova companhia, futuramente, poderá fazer uma oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) na BM&FBovespa. A Eldorado tem hoje como acionista majoritário a J&F Holding, controladora da JBS Friboi, com 75%, e MCL Empreendimentos, do empresário andradinense Mário Celso Lopes, com 25%. Os dois sócios, por sua vez, têm participação expressiva na Florestal, cuja estrutura acionária inclui os fundos de pensão Funcef (dos funcionários da Caixa Econômica Federal – CEF) e Petros (da Petrobras), além do fundo Vitória Asset Management.

A estrutura societária da nova empresa, que terá ações listadas em Bolsa no "momento oportuno", segundo fonte próxima às companhias, está sendo desenhada e há possibilidade de nova capitalização. A expectativa é a de que as negociações sejam concluídas ainda em 2010 e não interfiram no andamento do plano de negócios da Eldorado, que já lançou a pedra fundamental da fábrica sul-mato-grossense.

O projeto da fábrica, que prevê financiamento de aproximadamente R$ 3 bilhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), envolve investimentos totais de R$ 4,8 bilhões para implantação da maior linha de produção de celulose branqueada de eucalipto do mundo, considerando-se a mais avançada tecnologia do momento, de 1,5 milhão de toneladas por ano. O início das operações está previsto para o segundo semestre de 2012. "Esse é o momento da fusão", afirma fonte ligada aos acionistas.

Segundo fontes ouvidas pelo Valor, um dos pontos mais delicados das conversas para a fusão das duas empresas diz respeito à eventual diluição dos fundos de pensão Funcef e Petros, que hoje detêm, cada um, 24,75% do Fundo de Investimento em Participações (FIP) Florestal, no capital da nova companhia. Por meio do fundo, Funcef e Petros aplicaram, no ano passado, R$ 550 milhões na Florestal Investimentos Florestais, empresa constituída em julho de 2007 por Mário Celso Lopes e pela J&F, em operação que deu origem à Florestal Brasil. Com o aporte, os fundos de pensão ficaram com mais de 49% do capital da empresa, enquanto os dois outros sócios garantiram 50,25%. A gestora contratada para o FIP, Vitória Asset Management, possui 0,25% das cotas.

Conforme uma das fontes, o fato de Funcef e Petros já conhecerem a operação, uma vez que participam do capital da Florestal Brasil, pode facilitar as conversas em torno da estrutura acionária da nova companhia. Outra fonte, contudo, aponta a possibilidade de descontentamento por parte das fundações caso se faça necessária uma nova capitalização.

Por enquanto, todos os acionistas seriam unânimes quanto às vantagens e sinergias geradas pela fusão e o clima seria amistoso. O consenso em torno da operação foi declarado durante encontro dos acionistas, na quarta-feira e quinta-feira da semana passada, no município de Três Lagoas. Durante o "workshop" também foi traçado um esboço do que deve ser o conselho de administração da nova empresa, ainda sem nome definido, e desde então, sócios da Eldorado Brasil e da Florestal estão trabalhando nos estudos financeiros.

O clima amistoso, contudo, não tem sido uma constante. Há algumas semanas, os sócios da Eldorado Brasil tiveram de superar divergências acerca da estrutura societária durante processo de capitalização da companhia, que culminou na elevação da fatia da J&F Holding a 75%, ante 50% originalmente. Esse desencontro entre os sócios, já resolvido segundo as fontes, deu origem a rumores de que um deles poderia deixar a empresa.

Em termos operacionais, a principal vantagem da união entre as duas empresas está relacionada à verticalização da operação. A Florestal se dedica, hoje, ao plantio de florestas de eucalitpo e tem como meta agregar a seu portfólio 30 mil hectares plantados por ano, totalizando 210 mil hectares em sete anos. A madeira por ela produzida em áreas de Mato Grosso do Sul será usada na fábrica da Eldorado Brasil. Com uma nova companhia, única, seriam somados recursos florestais e produção. "Faz todo o sentido", avalia uma fonte.

A fábrica de celulose de eucalipto da Eldorado será a primeira a entrar em operação no país desde a inauguração da unidade da Fibria, empresa resultante da fusão entre Aracruz e Votorantim Celulose e Papel (VCP), também em Três Lagoas, na primeira metade de 2009. No momento em que passar a oferecer a fibra ao mercado, a Eldorado deverá encontrar cenário de aperto na relação entre oferta e demanda global e preços da matéria-prima em níveis elevados, conforme analistas que acompanham o setor. Além disso, há possibilidade de instalação de uma nova fábrica de papel tissue (absorvente) na região, que utilizaria parte da celulose da Eldorado.

O Valor procurou representantes da J&F Holding, da MCL Empreendimentos, da Funcef e da Petros, porém não havia porta-voz disponível para comentar o assunto.

(Stella Fontes | Valor)

 

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