BNDES avança em fusões de empresas

RIO – Além de dobrar o volume de crédito para investimentos nos últimos dois anos, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) está aumentando a sua presença na economia influenciando processos de consolidação ou adquirindo participações em empresas.

Levantamento da consultoria Price (PwC) feito a pedido do Estado mostra que, entre 2009 e 2010, o banco esteve por trás de pelo menos 64 operações de fusões e aquisições no Brasil, seis vezes mais do que no biênio anterior, quando foram contabilizadas apenas dez.

O BNDES tem aumentado a sua atuação no mercado empresarial por meio de seu braço de participações, a BNDESpar, como forma de incentivar a consolidação em setores considerados estratégicos. Em 2010, o ativo total da subsidiária atingiu R$ 125,8 bilhões, sendo pouco mais de 80% referente a uma carteira de ações de mais de 150 empresas e fundos de investimento.

Participações. Com isso, o banco participa hoje do capital de gigantes como Petrobrás, Vale, Oi e CPFL Energia e Eletrobrás, assim como de médias e pequenas empresas de base tecnológica. Além de dar musculatura financeira, o BNDES usa a compra de fatias nas companhias como uma forma de influencia-las na direção de outras, fomentando a concentração em setores considerados estratégicos pelo governo.

Para Alexandre Pierantoni, sócio da PwC para fusões e aquisições, o salto da participação do BNDES – por meio da BNDESpar ou de companhias ou fundos de private equity dos quais é sócio – mostra como o banco se tornou um agente mais ativo na consolidação de vários segmentos, dada a distribuição multissetorial das transações.

"O BNDES acaba promovendo um desenvolvimento financeiro de longo prazo e de melhor governança corporativa, especialmente entre as empresas de pequeno e médio porte, o que estimula o mercado de capitais e as fusões e aquisições", explica.

Acordos

O banco tem acordo de acionistas em 58 empresas dos quais é sócio e cadeiras em nove conselhos fiscais e 28 de administração. Não foi à toa que muitas das empresas que protagonizaram fusões recentemente tinham o BNDES como sócio.

É o caso de Perdigão e Sadia, que formaram a BR Foods, e de Votorantim Celulose e Aracruz, que se uniram na Fibria. O BNDES participa das duas empresas resultantes com 2,5% e 30%, respectivamente. Consideradas grandes compradoras no setor de tecnologia, Bematech e Totvs, que o BNDES começou a incentivar ainda em estágio inicial, ganharam liderança em seus segmentos por meio de aquisições apoiadas pelo banco.

A BNDESpar costuma se desfazer das participações acionárias num prazo médio de cinco anos e busca não ultrapassar 33% do capital.

(Alexandre Rodrigues l O Estado de S. Paulo)

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