BNDESPar compra 15,5% da Cipher por US$ 15 milhões

SÃO PAULO – A Cipher, companhia brasileira especializada em sistemas de segurança da informação, vendeu 15,5% de seu capital para o braço de participação em empresas do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, o BNDESPar. A transação – US$ 15 milhões – atribui à empresa um valor de mercado de US$ 97 milhões.

Criada há 11 anos, a Cipher tem 70% de seu capital sob controle dos irmãos Eduardo e Felipe Bouças. Os 14,5% restantes estão em posse de executivos da companhia.

Segundo Eduardo Bouças, que ocupa o cargo de diretor-executivo da Cipher, parte dos recursos será investida na operação da empresa no Brasil, com 160 profissionais. A maior parcela, no entanto, será usada para acelerar o processo de internacionalização da companhia.

Com um escritório em Londres desde 2009, a Cipher pretende ampliar suas atividades para os Estados Unidos, Europa Central, América Latina e Ásia.

O objetivo da companhia é tornar-se uma fornecedora de serviços terceirizados de tecnologia da informação (TI), com especialidade na área de segurança. O modelo é semelhante ao praticado por empresas como Stefanini, Accenture, IBM, TCS e Wipro. Nele, os clientes pagam valores mensais para a realização de serviços como desenvolvimento e gerenciamento de sistemas, ou manutenção de equipamentos.

A aposta da Cipher é ter ofertas semelhantes voltadas especificamente à área de segurança. Para isso, a empresa planeja a instalação de centros de dados em diversas partes do mundo para atender os clientes. Os projetos poderão ser desenvolvidos pela Cipher, ou usar produtos de empresas da área, como Check Point, Symantec e McAfee.

O primeiro passo no caminho de uma maior atuação internacional – iniciado com o aporte do BNDESPar – foi a contratação de 15 profissionais para o recém-inaugurado escritório nos Estado Unidos. De acordo com Bouças, a Cipher tem 15 clientes fora do Brasil, que respondem por 10% do faturamento de R$ 40 milhões registrado em 2010.

A atuação no exterior será fundamental para a companhia atingir a meta de receita assumida com o BNDES como parte da negociação do investimento de US$ 15 milhões. Até 2017, a companhia precisa chegar a uma receita de R$ 1 bilhão. Até lá, Bouças não descarta novos aportes do BNDES. "Nosso exemplo é a Totvs, que também se usou recursos do banco", conta.

Bouças explica que a Cipher espera ter metade de seu crescimento nos próximos anos baseada na expansão natural de suas atividades. A outra metade virá por meio de aquisições. "O mercado de segurança fora do Brasil tem muito mais oportunidades. Não é fácil competir, mas estamos indo bem", diz o executivo.

(Gustavo Brigatto | Valor)

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