Brasil ficará com 63% do investimento da Vale em 2011

A mineradora Vale vai investir no próximo ano US$ 24 bilhões, um volume recorde na história do setor, segundo o presidente da companhia, Roger Agnelli. Os desembolsos serão custeados pela geração de caixa da empresa.

As operações no Brasil ficarão com US$ 15,318 bilhões dos recursos, montante que representa 63,8% do total aprovado. Haverá aporte de US$ 1,959 bilhão no Canadá, onde a companhia tem importantes ativos de níquel e projeto de fertilizantes, além de investimentos em vários outros países.

Para Agnelli, o cenário para os próximos 12 meses é muito positivo e a empresa continuará operando com plena capacidade, na esteira do forte consumo chinês e da continuidade da recuperação na produção industrial no mundo.

O executivo disse que o risco para a Vale hoje é a questão cambial, não só no Brasil como também nos outros países produtores de commodities. "O câmbio faz o custo dos projetos subir, porque a mão de obra e boa parte os equipamentos são locais."

Segundo a Vale, o minério de ferro ficará com maior parte dos investimentos previstos para 2011, ou 35,5% do total. A estratégia do grupo é produzir 311 milhões de toneladas desse insumo no ano que vem. A produção deve alcançar 522 milhões de toneladas em 2015.

Em fertilizantes – a mais recente investida da Vale dentro da estratégia de diversificação do portfólio de produtos -, serão investidos US$ 2,5 bilhões, o que corresponde a 10,4% de tudo que será desembolsado no próximo ano (veja quadro).

A empresa quer mais que dobrar em cinco anos a produção de todos minerais e metais, com um crescimento médio anual de 16,3% entre 2011 e 2015. No período de 2003 a 2008, o índice de produção da mineradora avançou a uma taxa média anual de 9,8%.

Para tanto, a mineradora vai destinar 81,3% dos investimentos de 2011 para sua expansão orgânica – o que envolve aportes na execução de projetos (US$ 17,535 bilhões) e pesquisa e desenvolvimento (US$ 1,986 bilhão).

O orçamento já foi aprovado pelo conselho de administração e corresponde a uma alta de 125,1% sobre os US$ 10,662 bilhões dos 12 meses terminados em 30 de setembro, sem incluir US$ 7,156 bilhões referentes a aquisições.

O executivo destacou que a Vale investiu, nos últimos quatro anos, em ativos que ainda não começaram a gerar receita. "A empresa que estamos construindo é quase do tamanho da que opera hoje."

Segundo a companhia, 18 grandes projetos – somando US$ 26 bilhões em investimentos – entrarão em operação entre 2010 e 2012. "A entrada em operação desses projetos aumenta a capacidade de financiamento da expansão das atividades da companhia sem a necessidade de alavancar o balanço", diz a empresa.

Em entrevista ontem sobre os resultados, o presidente da Vale disse que vê uma tendência de maior estabilidade nos preços do minério de ferro para o começo de 2011, após as oscilações observadas ao longo deste ano.

"Não posso dizer se a flutuação vai ser positiva ou negativa, mas diria que deve haver uma estabilidade maior de preços", comentou o executivo, acrescentando que o valor do insumo deverá oscilar perto da cotação atual praticada no mercado spot (à vista) na China, que está ao redor de US$ 148 por tonelada.

Agnelli disse que a China está conseguindo mitigar os efeitos de uma recessão na Europa e de uma lenta recuperação nos Estados Unidos. Para o executivo, não há risco de grandes mudanças na expansão chinesa. "Não só eu tenho que rezar para a China, mas todo mundo tem que rezar para a China continuar crescendo", afirmou.

O presidente da Vale evitou, mais uma vez, tecer comentários sobre as especulações acerca de sua saída do comando da mineradora. "Dispenso qualquer tipo de comentário nesse sentido", disse, após afirmar que a companhia já emitiu um posicionamento claro sobre o tema – referiu-se à nota, divulgada na terça-feira, em que a mineradora nega, por orientação de acionistas controladores, planos de substituir Agnelli.

Ele comentou que a mineradora é "extraordinariamente importante" para o desenvolvimento do país e que qualquer governo vai querer trabalhar de forma "muito próxima" à companhia.

(Eduardo Laguna e Silvia Fregoni | Valor)

 

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