Brasil Foods já é grande demais para ser desfeita, dizem analistas

São Paulo – Nesta quarta-feira (8/6), pode sair a decisão final do casamento entre Sadia e Perdigão. Ainda não é possível prever qual será a resolução do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) dentre as três opções possíveis: veto do negócio; venda de uma das marcas Sadia ou Perdigão; ou ainda venda de ativos menores que compõem o portfólio da Brasil Foods (BRF).

Analistas consultados por EXAME.com preferem não dar nenhum palpite sobre a decisão; mas, de acordo com eles, a venda de ativos, que não seja nem a marca Sadia nem a Perdigão, é a solução mais prudente para a BRF e o mercado como um todo.

As duas marcas juntas são responsáveis por 90% do faturamento da BRF. No primeiro trimestre do ano, a companhia somou receita mais de 6 bilhões de reais. Caso o Cade decida pela venda de uma das marcas (Sadia ou Perdigão), o negócio não faria mais sentido, uma vez que as marcas justificam a união, segundo os analistas.

“Seria horrível qualquer das duas decisões adversas à fusão das companhias. Vender ativos menores, mesmo que não seja o melhor dos mundos, é a alternativa que menos impactaria os negócios da BRF”, disse Cauê Pinheiro, analista da SLW Corretora.

Caminho alternativo

A BRF é dona também das marcas Batavo, Cotochés, Doriana, Elegê entre outras. “Vender a parte de lácteos seria a opção mais sensata. Pois trata-se de um mercado em consolidação, no qual as negociações seriam mais fáceis”, afirmou Henrique Ribas, analista da Planner Corretora. “O impacto seria bem menor”, disse.

Não é só a BRF, no entanto, que sairia perdendo caso a decisão do Cade seja desfavorável ao negócio. Hoje, a companhia é a terceira maior exportadora do país e mantém negócios em mais de 110 mercados. O peso da BRF na balança comercial é de aproximadamente 20%, participação considerada relevante.

Além da importância no mercado externo, a BRF também é uma importante fonte pagadora de tributos no país. “Neste ano, os impostos pagos pela BRF devem chegar a 80 milhões de reais. Estima-se que no prazo de cinco anos a contribuição chegue a 1 bilhão de reais. Em dez anos, o valor será ainda maior”, disse Ribas.

A BRF já articula outras maneiras de levar o negócio adiante caso a decisão do Cade não agrade os acionistas. Segundo a assessoria de imprensa do Cade, o Ministério Público pode intervir e adiar o julgamento. “ Assim, a BRF ganha tempo e aproveita a sinergia já gerada com o negócio”, disse Ribas. Desde que foi anunciada a fusão entre as duas companhias, em maio de 2009, o Cade fez pequenas concessões para que as companhias realizassem algumas operações em conjunto.

O julgamento está marcado para  começar a partir das 10h. Como o processo tem mais de 500 páginas, o tempo previsto para que a decisão seja tomada é de pelo menos 8 horas. Resta agora, aguardar para saber se a união entre Sadia e Perdigão terá um final feliz ou entrará na fila de fusões e aguardam na Justiça uma decisão, como o caso Garoto e a Nestlé.

(Daniela Barbosa l Exame)

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