Brookfield compra sede da Sadia por R$ 150 milhões

SÃO PAULO – Um dos últimos grandes espaços fabris da cidade de São Paulo já tem destino certo. Em um disputado leilão, a sede da Sadia – que fica em um terreno de 70 mil m2na Vila Anastácio – foi arrematada pela Brookfield. Segundo o Valor apurou, as empresas já assinaram memorando de entendimentos e a aquisição deve ser fechada até o fim do ano. O valor do negócio deve ficar perto de R$ 150 milhões e envolve o terreno, próximo ao principal, de 10 mil m2 que pertence à Fundação Atílio Fontana, de pensão dos funcionários da Sadia.

O Valor apurou que a Cyrela participou da disputa até o final, mas a proposta feita pela canadense Brookfield foi a vencedora. Embora também atue no mercado corporativo, a companhia deve fazer um projeto estritamente residencial, em várias fases. Procuradas, a Brookfield confirmou que está participando da licitação, mas disse que o resultado não foi definido ainda e a Brasil Foods (BRF) -empresa resultante da fusão entre Sadia e Perdigão – não comentou o assunto.

Na sede da Sadia, restaram apenas os escritórios. Não há atividade fabril e o espaço também não é usado como centro de distribuição. A empresa iria deixar a Vila Anastácio para ocupar sete andares de um prédio na Marginal Pinheiros no fim de 2008, mas desistiu por conta dos problemas financeiros. Próxima à Marginal Tietê, a Sadia fica em uma região com muitos galpões antigos, que está se valorizando.

Com receita de R$ 2,3 bilhões de janeiro a setembro, a Brookfield está aumentando sua atuação na área residencial e nos imóveis econômicos, onde o giro é mais rápido. No terceiro trimestre, as vendas de residenciais somaram R$ 730 milhões, contra média de R$ 470 milhões nos dois primeiros trimestres do ano.

Com a escassez de terrenos em São Paulo, comprar uma área desse porte, que envolve a negociação com um único interlocutor, é uma vantagem competitiva importante. É praticamente impossível "montar" um terreno dessas proporções em uma região não periférica, a partir de compra de várias casas e galpões. Por outro lado, grandes áreas são tradicionalmente mais difíceis e demoradas de serem aprovadas. Exigem estudos e pareceres elaborados, como da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), além de uma contrapartida da construtora para alargamento de vias ou até a criação de novas ruas. O caso mais emblemático de demora na aprovação é o terreno da Telefônica, uma área de 244 mil m2 comprada pela Tecnisa em janeiro de 2007, por R$ 135 milhões. O projeto, que prevê a construção de um novo bairro na Água Branca, ainda não foi lançado.

A Brookfield tem tradição na compra de áreas de antigas fábricas. Comprou a antiga unidade da Kopenhagen, no Itaim, onde fez o Brascan Century Plaza, empreendimento que reúne residencial, comercial, hotel e cinemas. Também comprou duas fábricas no bairro paulistano da Moóca para projetos residenciais.

A última grande aquisição fabril da Brookfield foi a operação da Giroflex, na Marginal Pinheiros. A empresa construiu primeiro a torre menor e vendeu andar por andar. A segunda torre, com 62 mil m2 de área está sendo negociada com um único comprador.

Outra área que já foi negociada é a fábrica da Monark, terreno de 80 mil m2 na Marginal Pinheiros. A área foi comprada pela WTorre, mas o negócio não evoluiu, e revendida para a Odebrecht Realizações Imobiliárias por R$ 260 milhões.

De maneira geral, as empresas estão aproveitando o boom imobiliário para se desmobilizar. Recentemente, a Mercedes-Benz vendeu quatro escritórios para a Credit Suisse Hedging-Griffo por R$ 120 milhões. A própria BRF tem outro ativo que interessa ao mercado imobiliário e deve ser vendido – a sede da Perdigão, no Jaguaré.

(Daniela D”Ambrosio | Valor)

 

 

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