BTG Pactual fecha a compra da Coomex

O BTG Pactual fechou a compra de 100% da maior comercializadora independente de energia do país, a Coomex, por cerca de R$ 100 milhões, a serem pagos a prazo. O pagamento está sujeito a ajustes dependendo do resultado da empresa. A aquisição será efetivada por meio de uma comercializadora criada neste ano pelo próprio BTG Pactual e já registrada na Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Os atuais sócios da Coomex, que faturam R$ 700 milhões por ano, vão se manter no negócio como executivos e terão a meta de expandir as atividades da companhia, usando inclusive a geração de energia.

O objetivo principal da nova Coomex é passar a competir com as grandes comercializadoras ligadas a grupos de energia como é o caso da CPFL Energia e Tractebel, do grupo GDF Suez. Uma das metas é injetar capital para permitir que a empresa seja capaz de financiar a compra de energia, a exemplo do que faz a CPFL nos negócios de biomassa. Dos 700 MW negociados por mês pela Coomex, 35% é proveniente da cana-de-açúcar.

A operação marca a volta dos bancos ao mercado de comercialização de energia. Eles abandonaram a atividade no início dos anos 2000 quando o racionamento provocou uma queda brusca do consumo no país. Várias instituições financeiras, que tinham comercializadoras, abandonaram o negócio e as empresas geradoras passaram a dominar o mercado.

Mas, nos últimos anos, grandes comercializadoras independentes foram criadas e muitas delas por ex-executivos do mercado financeiro, principalmente de corretoras de valores. Isso porque a atividade se assemelha muito ao mercado de balcão das corretoras do mercado financeiro. Com a Coomex não foi diferente, já que ela tem hoje seus principais executivos, como o presidente José Carlos Amorim e o diretor comercial Cláudio Monteiro da Costa, egressos do mercado financeiro.

Segundo fontes próximas ao negócio, o objetivo do BTG Pactual é seguir os passos de bancos como o Goldman Sachs e o JP Morgan que nos Estados Unidos são as maiores tradings de energia. Ao adquirir a Coomex, o BTG ganha com a expertise em derivativos de energia dos atuais sócios. No ano passado, 10% do faturamento da comercializadora foi proveniente dessas operações.

O banco já tem um pé no setor por meio do fundo de private equity Brasil Energia. O banco administra a carteira que tem os fundos de pensão como principais cotistas, mas também tem capital próprio investido. Em 2009, o fundo aportou R$ 300 milhões na Ersa, empresa de energias renováveis do Pátria Investimentos, que constrói pequenas centrais hidrelétricas e investe em parques eólicos.

Da carteira da Coomex, o banco também vai herdar o negócio de eólicas. A comercializadora vendeu no ano passado 30 MW de energia no leilão promovido pelo governo federal. A empresa vendeu a energia a R$ 152 o MWh, o preço mais alto do leilão. Outros dois projetos próprios vão ser negociados no leilão de energias alternativas que acontece no fim do mês. Mas a atividade de geração deve servir apenas para dar lastro aos negócios da comercializadora. Não é o objetivo principal do banco.

Além de ter iniciado um negócio próprio de geração, a Coomex é consultora de empreendedores nos leilões. No leilão deste mês, ela assessora 100 projetos inscritos, quase um terço do total dos empreendimentos que vão concorrer. Desde 2007, vem prestando esse tipo de serviço para empresas de energias alternativas. No leilão para a venda de energia de pequenas centrais hidrelétricas, 10% dos negócios fechados com contratos equivalentes a R$ 500 milhões foram feito sob o assessoramento da Coomex.

No ano seguinte, em 2008, os clientes da empresa levaram 37% dos contratos do leilão de biomassa, ou o equivalente a um faturamento de R$ 2,3 bilhões. No ano passado, no leilão de eólicas, além de ter vendido projeto próprio, a empresa também fez assessoramento para a Impsa e a Gestamp. Juntas com a Coomex, venderam 18% do total da energia comercializada naquele leilão.

(Josette Goulart | Valor)
 

 

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