Camargo Corrêa cria a holding InterCement

SÃO PAULO – O negócio de cimento do grupo Camargo Corrêa, iniciado em 1967 com uma pequena fábrica em Apiaí, interior de São Paulo, ganha a partir de hoje uma nova identidade corporativa. Em linha com o plano de expansão internacional, foi criada a holding InterCement Participações, que vai ser sua nova marca e definir toda a estratégia de investimentos do conglomerado nessa área.

A Camargo Corrêa Cimentos, que cuida das operações no país e tem debaixo de si o controle da Loma Negra, deixará de existir, tornando-se InterCement Brasil. Na nova configuração, todos os ativos do grupo na área de cimento ficarão debaixo da InterCement Participações. A participação de 33% na portuguesa Cimpor migrará em maio do guarda-chuva da Camargo Corrêa S.A., holding de todos os negócios do grupo, para a nova holding, assim como as operações no Paraguai, Bolívia e Angola. A última a ser transferida será a argentina Loma Negra, adquirida em 2005. A nova denominação está em estudo.

"Nosso objetivo, desde novembro, era criar dentro do grupo, e para o público externo, uma visão unificada do negócio de cimento, integrando todas as operações sob uma marca internacional", afirma José Edison Barros Franco, presidente da InterCement Participações. As marcas dos produtos comercializados pela empresa – Cauê, Cimento Brasil e Loma Negra – foram todas mantidas. Para a futura fábrica de Angola, a entrar em operação no início de 2014, foi criada a marca Palanca.

Segundo Franco, o plano do grupo Camargo Corrêa é ter uma empresa de cimento com forte presença em algumas regiões do mundo, com destaque para América Latina e África, onde estão as novas fronteiras de expansão da economia, e de cimento, e oportunidades para investimentos no aumento da oferta. Nessas duas regiões, observou o executivo, o crescimento da demanda é superior à média mundial da indústria cimenteira. Já pensando nisso, a marca InterCement foi registrada em 43 países. Além das regiões mencionadas, também em alguns países da Europa.

O grupo, que em 2010 investiu R$ 3,5 bilhões na aquisição de 33% do capital da Cimpor – nona maior do mundo -, tem como meta estar entre os 20 maiores produtores internacionais de cimento até o fim de 2012. Isso significa via a produzir e vender pelo menos 20 milhões de toneladas por ano. O executivo admite que isso não será obtido apenas com crescimento orgânico – instalação de novas fábricas e expansão das atuais. "Certamente, isso passará por uma grande aquisição de ativos", afirma Franco, lembrando que a posição atual é 35ª.

A criação da nova holding, admite, pode ser um passo para lançar suas ações em bolsa. "Como temos um plano de investimento bem expressivo pela frente essa é uma opção para buscar capital". A empresa fica preparada para isso, mas nada está definido no momento sobre essa questão, ressalva ele. A companhia, que já é S.A., tem comitês de governança e publica seus balanços financeiros, tem 99,9% do seu capital em poder da holding do grupo.

De 2011 a 2015, sem considerar aquisições, a InterCement planeja investir R$ 6,2 bilhões em novas fábricas e na ampliação da capacidade de instalações atuais. Brasil e Argentina vão abrigar a maior parte do pacote. No país vizinho está prevista nova fábrica no Noroeste ou Norte do país, novas expansões e mais logística.

No Brasil, com forte atuação no Sudeste, quer entrar no Norte com a instalação de duas fábricas: uma no Amazonas e outra no Pará. Um dos investimentos deve ser anunciado ainda neste trimestre.

Para o Nordeste não há plano à vista devido à participação na Cimpor. A subsidiária Cimpor Brasil, com forte presença na região, além do Centro-Oeste e Sul. "Hoje, operamos lá apenas com uma pequena moagem em Suape (PE) para atender o mercado local", diz Franco. Os órgãos anti-truste SEAE e SDE recomendaram ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) que Camargo Corrêa e Votorantim, acionistas da Cimpor, vendam alguns ativos no Brasil.

Um dos projetos importantes em andamento, com investimento mínimo de US$ 300 milhões, é o da fábrica de Angola. Direta e indiretamente, a empresa terá 30% de participação com parceiros locais – a petrolífera Sonangol e o grupo Gema. O país africano é hoje um grande importador.

Em 2010, a companhia vendeu 11,6 milhões de toneladas de cimento – 6 milhões no Brasil, 5,5 milhões na Argentina e 100 mil no Paraguai. Isso rendeu receita líquida de R$ 2,47 bilhões e lucro de R$ 226 milhões. O resultado operacional foi impactado pela valorização do real frente ao peso argentino e por aumento dos custos. Neste ano, a InterCement – líder na Argentina com 54% e terceira no Brasil, com 10,2% – projeta vendas de 12,8 milhões de toneladas.

Cimento está entre os principais negócios eleitos pelo grupo para crescer, ao lado de construção e engenharia, concessões de energia e concessões de rodovias.

(Ivo Ribeiro | Valor)

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