Caterpillar produzirá locomotivas no Brasil com fábrica em MG

A Progress Rail Services – braço ferroviário da fabricante americana de máquinas e equipamentos Caterpillar – anunciou ontem o plano de construir uma fábrica de locomotivas na cidade mineira de Sete Lagoas.

A empresa disputará o mercado brasileiro de locomotivas a diesel e elétricas com a GE, cuja divisão de transportes ferroviários está instalada em Contagem, também em Minas Gerais. Fora a GE, a EIF produz locomotivas de menor potência para tração em Três Rios (RJ).

A Progress Rail não revelou os investimentos previstos para a unidade, mas adiantou que aportes significativos serão realizados na modernização da fábrica – que será instalada dentro de uma antiga oficina de locomotivas arrendada da FCA, principal cliente da fabricante no Brasil.

Influenciam o novo investimento o crescimento do mercado e incentivos fiscais concedidos pelo governo de Minas Gerais. A unidade industrial será operada pela subsidiária brasileira da Progress Rail, a MGE, e vai montar e fabricar locomotivas da marca Electro-Motive Diesel (EMD). Quando estiver operando a plena capacidade, a fábrica brasileira irá empregar diretamente 600 pessoas.

A fabricação deve ter início em seis meses, com estrados e cabine sendo fabricados em Sete Lagoas e demais componentes adquiridos da indústria nacional. A MGE vai fabricar os motores de tração, mas os motores a diesel serão importados dos Estados Unidos.

Com o empreendimento, a indústria sobre trilhos nacional passa a ter os dois principais e mais tradicionais fabricantes de locomotivas do mundo, diz Vicente Abate, presidente da Associação Brasileira da Indústria Ferroviária (Abifer), referindo-se a EMD e GE.

Segundo o executivo, o investimento é um sinal de que grandes fabricantes de veículos ferroviários voltam a apostar no Brasil, após o longo ciclo de baixa nos investimentos das décadas de 1980 e 1990. "Houve uma degradação do sistema ferroviário de cargas e a indústria de locomotivas foi uma das que mais sofreram com o ambiente de canibalização. Alguns fabricantes saíram e, em certo momento, praticamente deixou de existir produção de locomotivas no país."

Para Abate, a desestatização da rede ferroviária nacional representou um ponto de inflexão ao permitir investimentos em melhorias da malha pela iniciativa privada. Nas contas da Abifer, o mercado nacional deverá alcançar 40 mil vagões de carga nesta década, superando a marca de mais de 30 mil vagões dos anos de 1970.

(Eduardo Laguna e Ivo Ribeiro l Valor)

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