CDC inicia operação direta no Brasil

Após adiar por diversas ocasiões sua primeira viagem ao Brasil, temendo as longas horas de voo que teria pela frente, Peter Yip finalmente esteve no pais, na semana passada.

Peter Yip, executivo-chefe da CDC: sucesso no país dependerá de alianças

Apesar da curiosidade em conhecer de perto o Carnaval, esse não foi exatamente o motivo que trouxe Yip – executivo-chefe da CDC Software e nas horas vagas fã assumido do futebol brasileiro – ao país nesse período.

A visita do executivo simboliza a chegada efetiva da CDC – fornecedora chinesa de software – ao Brasil. A empresa está anunciando a abertura de um escritório no país, onde só atuava por meio de uma revenda para o seu sistema de gestão de relacionamento com clientes (CRM, na sigla em inglês). Carro-chefe da CDC, o produto responde por 40% da receita global da companhia, que tem um faturamento médio anual de US$ 500 milhões.

A empresa vai ampliar seu portfólio no país com a oferta de sistemas de gestão empresarial e softwares para o chão de fábrica. O foco estará nos pequenos e médios fornecedores de setores como a indústria automotiva.

"Temos clientes em grandes montadoras, mas a cadeia que serve a esse segmento é muito mais acessível e numerosa", diz Yip.

A operação brasileira será a única estrutura própria da CDC na América Latina. A empresa começou a investir na região há cerca de três anos, por meio da aquisição de participações minoritárias nos negócios de companhias locais de software em países como México, Chile, Argentina e Colômbia.

Esse modelo de negócios – que inclui o envolvimento da CDC na gestão das empresas – também passará a ser adotado no Brasil. A companhia iniciou há nove meses a prospecção de dez empresas locais e reduziu seu escopo a dois nomes, com os quais está em fase final de negociação, diz o executivo.

Segundo Yip, a estratégia da CDC é identificar parceiros que possam completar seu portfólio e facilitar sua entrada no mercado brasileiro. Ao mesmo tempo, a CDC pode contribuir para que os produtos dessas companhias tenham acesso aos mercado asiático, europeu e americano, onde a empresa já tem atuação consolidada.

Yip reconhece que essa é a estrutura ideal para que a empresa cresça no país: "Não somos a Microsoft ou a IBM. Somos ”caras” pequenos e nosso sucesso depende da aliança com empresas que tenham o mesmo perfil e objetivo. É uma troca."

Vice-presidente sênior de operações da CDC para a América Latina e Europa, Oscar Pierre revela que o aporte destinado, a princípio, para esses acordos no Brasil é de US$ 6 milhões. Ele ressalta, porém, que esse valor pode subir. "Temos cerca de US$ 210 milhões para investir globalmente em bons negócios. Não separamos essa cifra por região ou país", explica.

Pierre afirma que o porte e a complexidade do mercado brasileiro foram responsáveis pela escolha da CDC em investir primeiro no restante da América Latina. Por outro lado, esses fatores também explicam a opção para que o Brasil seja o único país a ter presença direta da companhia, diz ele.

Sob esse cenário, Pierre ressalta, porém, que o escritório brasileiro terá uma estrutura enxuta. Com passagens pela IBM e Oracle, Vanderlei Gaido comandará a operação, que terá sede em São Paulo e responderá pela marca da CDC e a gestão da relação da empresa com seus parceiros no país, sejam eles diretos ou revendas.

"Seria impossível controlar os negócios que queremos ter por aqui sem essa presença ou através de um parceiro", diz Pierre, acrescentando que a expectativa é de que o Brasil responda por 40% das receitas da CDC na América Latina em três anos.

(Moacir Drska | Valor)

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