Ci&T planeja expansão internacional

Em 1995, quando decidiram fundar a Ci&T, companhia especializada em software e serviços de tecnologia da informação (TI), César Gon, Fernando Matt e Bruno Guiçardi tinham em mente dois objetivos bem claros: ser uma empresa global e alcançar uma receita de R$ 100 milhões.

Hoje, o trio, que se conheceu no curso de engenharia da computação da Universidade de Campinas (Unicamp), pode dar como concluída uma das metas traçadas naquela época. Em 2010, a empresa superou pela primeira vez a marca dos dois dígitos ao registrar uma receita de R$ 101,4 milhões, com crescimento de 42%. A companhia também ampliou sua carteira de clientes em 92%, saltando de 50 para 96 clientes globais.

Agora, a Ci&T focaliza sua atenção na expansão internacional de suas operações, estratégia apontada por Gon, executivo-chefe da companhia, como única alternativa para o crescimento das empresas brasileiras de TI. "A consolidação no setor é inevitável. Então, ou você se torna um protagonista, ou fica restrito a nichos, correndo o risco de ser engolido pelas multinacionais", disse ele.

Sob essa visão, Gon diz que vai abrir mais dois escritórios nos Estados Unidos, neste semestre, e um novo laboratório de desenvolvimento de software. Neste caso, embora o local não tenha sido definido, a opção será por uma região onde a Ci&T ainda não atua. "A maior parte dos nossos investimentos está concentrada em novas geografias. A ideia é construir aos poucos uma rede global de atendimento", explica.

Além de unidades na Filadélfia e em Londres, existe em Tóquio a Ci&T Pacific, joint-venture com a empresa japonesa Rococo. Com um aporte inicial de US$ 1 milhão em 2009, a operação atende a seis clientes no Japão e envolve um centro de desenvolvimento de software em Ningbo, na China.

Em 2010, a estrutura da Ci&T no exterior respondeu por 35% das receitas da empresa, diz Gon. Desse total, 88% foram originados nos EUA, 7% na Europa e 5% na Ásia. Apesar da incerteza em relação aos possíveis impactos econômicos dos últimos incidentes no Japão, o executivo diz que, a princípio, a produção da Ci&T Pacific não foi afetada e mantém a perspectiva de uma fatia mais representativa das receitas externas em 2011.

Nesse sentido, Gon diz que a empresa está investindo US$ 500 mil na Ci&T Pacific, cuja meta para este ano é dobrar o tamanho da operação, inclusive a capacidade produtiva do laboratório chinês, que atua com 50 profissionais.

Segundo o executivo, a previsão para 2011 é obter faturamento total de R$ 130 milhões e manter o índice de 35% de receitas geradas no exterior. Afirmou que continuará a ser explorado o potencial do mercado brasileiro, onde a atuação é principalmente junto aos segmentos de mídia, financeiro, indústria, varejo e construção.

Para o mercado local, a Ci&T planeja ampliar sua oferta, hoje centrada no desenvolvimento de aplicativos de negócios sob encomenda para cada cliente. A ideia, segundo Gon, é trazer ao Brasil produtos e serviços que já são oferecidos pela companhia nos Estados Unidos.

"Vamos focar na computação em nuvem [processamento remoto de informações], aplicações para a internet e games para redes sociais", diz o executivo. Para ele, a tendência é que as ofertas empresariais evoluam para uma abordagem mais voltada ao usuário final.

(Moacir Drska | Valor)

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