Com parcerias, FGV quer ir da Bahia à Santa Catarina

A Fundação Getúlio Vargas (FGV) abriu processo de licitação para instalar oito novas unidades no país, onde oferecerá cursos de pós-graduação e MBAs. As escolas ficarão em Feira de Santana (BA), Ilhéus (BA), Presidente Prudente (SP), Campo Grande (MS), Chapecó (SC), Tubarão (SC), Criciúma (SC) e Lages (SC).

O objetivo da fundação é manter uma taxa anual de crescimento de 20%, com cerca de 18 mil novos alunos matriculados em seus cursos todo ano. Para isso, monta parcerias com escolas locais. Aquelas que vencem o processo licitatório fecham um acordo com a FGV pelo qual se comprometem a oferecer instalações novas, com computadores e transmissão de aulas via internet, seguir o currículo estabelecido pela fundação e pagar os professores da escola. Além disso, ainda pagam 15% da receita à FGV. Em Osasco, por exemplo, o parceiro está investindo R$ 9 milhões em obras para receber os cursos.

A estratégia vem dando certo e hoje a Fundação já está presente em 100 cidades do país. O professor Clóvis de Faro, diretor do Instituto de Desenvolvimento Educacional (IDE-FGV), conta que a primeira parceria aconteceu em Pelotas (RS) em 1992. "Naquela época, a demanda surgiu da escola local que propôs o negócio. As demandas foram crescendo e descobrimos que esta era uma boa forma de ampliarmos a receita da fundação".

De acordo com o professor Ricardo Spinelli, diretor da FGV Management, os cursos carros-chefe são os generalistas. "O mais pedido é o de Gestão Empresarial, em seguida vêm o de Administração e o de Engenharia", diz Spinelli, acrescentando que o de Gerenciamento de Projetos está em alta. "Há três anos, era um curso quase sem demanda. Mas em função dos grandes projetos que o Brasil vem desenvolvendo, a procura tem aumentado bastante", afirma.

Outros mais procurados são os de Marketing, Gestão de Pessoas e Finanças. A fundação também desenvolve cursos específicos para algumas regiões, como os de Agribusiness e de Logística. "O Nordeste pede muito Turismo", observa.

Ao todo foram vendidos mais de 18 milhões de livros, que são da própria editora da FGV. "Na internet, temos todo o currículo passo a passo. O aluno pode conferir se recebeu a aula corretamente a cada dia", diz Spinelli.

Outra exigência é não usar professores locais. "Mesmo que tenhamos um professor formado pela FGV morando em Belém, ele não dará aula na cidade. Pode dar em Manaus, por exemplo", afirma Spinelli. Isto porque o objetivo, diz ele, é trocar conhecimentos entre diferentes regiões do país.

Além dos MBAs, a fundação oferece cursos de especialização, os chamados pós-ADM, em mais de 50 cidades. A estrutura é um pouco diferente nesse caso. No Centro do Rio, por exemplo, a FGV montou um estúdio. De lá um professor titular inicia a aula ao vivo, com uma palestra que dura entre 10 e 15 minutos. Depois, um professor local, executivo do setor ou que tenha proficiência na disciplina, discute o caso, por cerca de meia hora. No fim, o professor titular retorna comentando o exercício. Hoje, a fundação já tem cerca de 1,3 mil professores locais.

Segundo o diretor da FGV Online, Stavros Xanthopoylos, a maioria dos professores locais é formada por ex-alunos da FGV. Xanthopoylos explica que este curso surgiu também por conta de uma demanda do mercado. "Hoje os alunos são cada vez mais jovens, já saem da faculdade procurando uma pós-graduação. O produto foi desenvolvido para eles", afirma. Cada turma tem entre 30 e 50 alunos.

(Paola de Moura | Valor)

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