Cosan fecha contrato de R$ 1 bi com a Braskem

SÃO PAULO – A Cosan, maior fabricante de açúcar e álcool do País, fechou um acordo de fornecimento de etanol para a Braskem, que será utilizado na produção do plástico "verde". O acordo deve render aos cofres da Cosan R$ 1 bilhão em um prazo de cinco anos.

Por ano, a Cosan vai fornecer à planta da Braskem em Triunfo (RS) 175 milhões de litros de etanol industrial. O contrato entre as empresas prevê o aumento de volume, o que vai depender da demanda pelo plástico verde – produto cuja tecnologia foi desenvolvida pela Braskem e será produzido na unidade gaúcha.

Com a parceria, a Braskem passa a ser a maior compradora de etanol industrial do País. E não é só. Dos 2 bilhões de litros de etanol previstos pela Cosan para a safra 2010-2011, 9% serão destinados à Braskem. O fornecimento começará em 1.º de agosto e termina em 21 de junho de 2015.

A unidade de plástico verde da companhia vai processar por ano cerca de 700 milhões de litros de etanol. Além da Cosan, outra grande fornecedora será a ETH, que pertence ao grupo Odebrecht, também controlador da Braskem.

Para abastecer a planta gaúcha, a Cosan terá de adaptar a estrutura ferroviária de Ourinhos (SP), onde será instalado um transbordo ferroviário para que o álcool, transportado até lá de caminhão, seja despejado nos vagões de trem.

A mesma infraestrutura no interior paulista vai servir para abastecer os postos de combustível da Cosan (Esso). A Braskem, por sua vez, também precisará investir na estrutura logística da via férrea.

Além de fornecer o etanol, a Cosan vai fazer toda a gestão logística do transporte ferroviário do produto até o Rio Grande do Sul, o que representa um ganho a mais no contrato, segundo Mark Lyra, diretor de Importação e Exportação da empresa.

As conversas entre as duas empresas acontecem há dois anos e só foram concretizados em um contrato depois de confirmada a decisão da Braskem de apostar na tecnologia do plástico verde, com a construção da primeira planta no País que vai obter resina plástica com uso do derivado da cana. "A Cosan, assim como a Braskem, quer fazer do etanol um importante insumo para a indústria química e petroquímica. A aposta do setor tem sido muito voltada para a inovação", diz Lyra.

Vantagens

Entre as vantagens defendidas por quem faz parte da atividade sucroalcooleira estão o fato de a cana ser uma matéria-prima de origem renovável que ajuda a reduzir a emissão de CO2. Cada quilo de plástico verde, por exemplo, captura 2,5 quilos de CO2.

Produção

A planta gaúcha da Braskem vai ter capacidade para produzir por ano 200 mil toneladas de plástico verde. A empresa tem projetos para outras unidades que, se concretizadas, elevarão a produção para 400 mil toneladas por ano. Até o governo holandês se interessou pela iniciativa e recentemente ofereceu à Braskem um pacote de incentivos e uma área em Roterdã.

Segundo declaração recente de Alan Hiltner, vice-presidente de Planejamento e Tecnologia da Informação da Braskem, a previsão para a unidade de Triunfo é que ela comece a operar em agosto. Toda a produção, disse, já está vendida, apesar de o plástico verde custar 30% mais que o produto tradicional, que usa o petróleo como matéria-prima.

(Paula Pacheco | O Estado de São Paulo)

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