Cosan prepara novo negócio de alimentos para 2011

A Cosan Alimentos, divisão da Cosan S.A. que controla as marcas de açúcar União e Da Barra, vai deixar de ser apenas uma divisão. Também vai deixar de ser focada apenas em açúcar. Até o começo do ano que vem, a Cosan Alimentos se tornará uma empresa independente da Cosan e, a partir do primeiro semestre de 2011, irá atuar em outras categorias do setor de alimentos. No longo prazo, considera-se até a possibilidade de abrir o capital.

"Até o meio do ano que vem, pretendemos estar atuando fortemente em pelo menos mais uma categoria além do açúcar", diz Colin Butterfield, presidente da Cosan Alimentos, que já está sendo organizada para funcionar como uma companhia independente da empresa-mãe.

Ele não revela em quais categorias a nova empresa irá atuar. Mas dá pistas. "A meta é entrar em, pelo menos, uma categoria por ano", diz. O foco é investir em alimentos, mas em categorias que o nível de formalidade seja alto, em produtos não-refrigerados e que tenham prazos de validade longos. Também é necessário ser um mercados com grande escala. Dentro dessas características, segundo Butterfield, a empresa analisa entrar no negócio de café, de biscoitos, massas (pastifício), conservas e até atomatados.

"Provavelmente, a primeira nova categoria poderá será a de café", diz o executivo. A Nova América, empresa dona da marca União, comprada pela Cosan em março do ano passado, já atuou no mercado dessa commodity, com o Café União, vendido para a Sara Lee em 2000. Na época, segundo Butterfield, a multinacional americana acertou com a Nova América a exploração do direito de uso da marca União por dez anos. Esse prazo venceu há alguns meses, o que dá liberdade para a Cosan Alimentos usar o nome em um futuro lançamento na área de cafés .

A entrada em novas categorias de produto é fundamental para a Cosan Alimentos, segundo Melchiades Donizeti Terciotti, diretor comercial de mercado interno da futura empresa. "É a única maneira de a companhia atingir boas taxas de crescimento. O mercado de açúcar é maduro, não há muito para onde crescer, a não ser diversificando os produtos", diz ele. No ano passado, a Cosan Alimentos faturou, segundo fontes do mercado, cerca de R$ 1,5 bilhão.

Um ponto a favor que a Cosan já tem para explorar novos setores é a distribuição. "O açúcar União e o Da Barra chegam à maioria dos pontos de venda de alimentos de todo Brasil. Com novas categorias dentro do mesmo universo, conseguiremos otimizar essa distribuição", diz Butterfield.

A empresa também está aumentando a linha de açúcares União. Lançou em maio passado o açúcar demerara (com maior teor de melaço em sua composição ) e a versão orgânica, cuja matéria-prima (cana-de-açúcar) vem de áreas com 100% de manejo biológico, sem uso de defensivos. Em outubro, quando a marca completa 100 anos, chega às prateleiras o União Diet, de sucralose (adoçante derivado do açúcar que pode ser consumido por diabéticos). "Esperávamos levar seis meses para atingir um certo faturamento com esses lançamentos. Mas já conquistamos essa meta logo nos primeiros dois meses", diz Terciotti.

A marca União tem 31% das vendas no varejo e ganhará em seu centésimo aniversário, em outubro, uma campanha comemorativa com anúncios em mídia impressa, TV e ações de ponto de venda no valor de R$ 20 milhões.

"A União é uma marca que poderá ser estendida para outras categorias que combinem com açúcar. Mas também estamos analisando a criação de uma terceira marca ou até a aquisição de outra já existente", afirma Butterfield. A entrada em novos setores, segundo ele, poderá ser feita tanto de maneira orgânica como por meio da compra de outras companhias.

A marca Da Barra, usada tanto em açúcar como em outros produtos (achocolatado, mistura para bolo, refresco em pó e amido de milho), permanecerá como uma "marca de combate", como diz Butterfield. "A Da Barra, assim como outras que temos, como Dulce, Neve e Doçula, continuarão sendo as marcas com as quais trabalhamos mais com o apelo de preço."

A Cosan Alimentos tem cinco fábricas de açúcar que estão passando por um processo de melhoria tecnológica e de capacidade por meio de um investimento de R$ 15 milhões.

Para financiar toda essa expansão, a Cosan Alimentos considera – no longo prazo – abrir capital. "A Cosan tem no seu DNA a característica de agregar valor para seus acionistas. A Cosan Alimentos vai herdar isso", afirma Butterfield.

(Lílian Cunha e Fabiana Batista | Valor)
 
 

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