Cresce apetite da Radar por aquisição de terras

A Cosan, maior produtora de açúcar e álcool do país e terceira no ranking de distribuição de combustíveis, negocia a compra de 60 fazendas localizadas no Cerrado brasileiro e no Estado de São Paulo, em transações que podem chegar a US$ 800 milhões. Juntas, essas propriedades somam uma área de 350 mil hectares. As negociações estão a cargo da Radar, empresa de terras criada em 2008 e na qual a gigante tem uma fatia de 18,9%.

Nos últimos dois anos, a Radar adquiriu 180 fazendas em São Paulo, Mato Grosso, sul do Maranhão e oeste da Bahia. São 84 mil hectares no total, que demandaram investimentos de US$ 440 milhões, conforme Ricardo Mussa, principal executivo da empresa de imóveis rurais. Com esse valor já aplicado, a Radar ainda tem disponíveis US$ 115 milhões para investir na ampliação de seu portfólio, uma vez que o aporte total já autorizado por seus acionistas chega a US$ 555 milhões.

"A joint venture com a Shell vai ampliar ainda mais a nossa oportunidade de investir", diz Mussa, sinalizando que essa pode ser uma das fonte de recursos para os negócios de terras em andamento.

Apesar de ter apenas 18,9% do capital da Radar, a Cosan, que criou a companhia, é sua controladora (direito a voto). Os outros investidores, fundos de pensão americanos, detém os 81,1% restantes. A Cosan tem direito de ampliar essa participação em mais 20% nos próximos dez anos, elevando sua participação total para 38%. "Essa subscrição adicional pode ser feita ao valor inicial de contribuição, corrigido pelo IPCA [Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo]", diz Marcos Lutz, CEO da Cosan.

O foco da Radar é, em um primeiro momento, arrendar terras para cultivo de algodão, soja, milho e cana-de-açúcar. Depois que atingirem um nível de valorização desejável, essas terras serão vendidas para que os investidores tenham seu retorno, diz Mussa. "Já estamos realizando as vendas de algumas fazendas, dois anos após a criação da Radar, dada a elevada valorização desses ativos", afirma o executivo.

De acordo com informações de Mussa, uma avaliação feita por uma auditoria independente em 30% do portfólio de terras da companhia identificou valorização média de 50% em dois anos.

Lutz, que não vislumbra no momento nenhuma mudança societária para a Radar, destaca que a empresa de terras oferece contratualmente duas opções de liquidez para os investidores, sendo que uma delas é a possibilidade de abertura de capital em bolsa. "Mas nada impede que estudemos juntamente com os investidores outra forma de liquidez", acrescenta.

O plano inicial da Radar era atingir o portfólio de 80 mil hectares em cinco anos, prazo que foi reduzido pela metade. Mussa afirma que a companhia hoje estuda replicar esse modelo de negócios de compra e venda de terras para a América Latina.

O mercado de terras no Brasil movimenta por ano negócios da ordem de US$ 40 bilhões, segundo estimativas da Cosan. Levantamento realizado pela companhia aponta que em 2020 a atual área cultivada com soja no país sairá dos atuais 22 milhões de hectares para 29 milhões. A de cana-de-açúcar vai dobrar de 7 milhões de hectares para 14 milhões. "O diferencial está em conseguir antecipar onde vai acontecer a valorização", afirma Mussa.

(Fabiana Batista | Valor)

 

 

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