Dica de Valor: FOTOGRAFIA: OBJETO OU OBSERVADOR?

“Mas é inevitável que de cada procedimento técnico, exercido com amor e rigor, se desprenda uma poesia específica. Mais ainda no caso da fotografia, cujo vocabulário já participa da magia poética – a gelatina, a imagem latente, o pancromático – e cujas operações se assimilam naturalmente às da criação poética – a sensibilização pela luz, o banho revelador, o mistério da claridade implícita no opaco, da sombra representada pelo translúcido – ó Mallarmé”

Carlos Drummond de Andrade

 

A fotografia me namora desde sempre, mas foi numa inusitada viagem a São Petersburgo de Pedro, O Grande, que aconteceu nossa primeira DR (Discussão de Relação).

Estava eu em plena excursão turística à monumental Catedral de Santo Isaac, com centenas de pessoas ao redor, quando me deparei com a luz inclinada do sol entrando pela janela, que me paralisou imediatamente. Desgarrei-me dos demais e fiquei hipnotizada com a beleza da cena. Arrisquei uns muitos cliques (foto), mas nenhum captou a emoção e a riqueza da estética que me encantou. Neste ponto do hemisfério, a luz é inclinada do início ao fim do dia, é impossível não se encantar com as inúmeras cores que brotam no céu. Primeiro praguejei um pouco com a máquina, mas depois, como boa engenheira, achei que deveriam existir recursos técnicos para transformar o olhar em fotografia. Fizemos as pazes, eu e a câmera, mas ficou no ar o gostinho do desafio.

De volta das férias, num destes domingos deliciosamente inúteis, procurando uma receita de bolinho de arroz na internet, tropecei virtualmente num curso de fotografia. Crédula do acaso, não hesitei e fiz minha matrícula.

As primeiras aulas foram puxadas: corpo, tele objetiva, grande angular, macro, diafragma, plano focal, obturador, ISO, ASA, exposição, stop, SLR, LCD, profundidade de campo, ângulo de visão, sensor, megapixel, exposição, contraste, saturação, white balance, latitude, fotometragem, ufa! E eu que só queria captar aquele sol penetrante…

Sem demora, percebi que este mar de informações nos foi apresentado de uma vez, mas cada um de nós teve seu tempo de assimilação. Eu por exemplo estou até hoje (re) lendo apostila, manual e anotações de aula – vira e mexe esqueço algumas definições e funcionalidades. Esta foi a parte fácil.

Tive a sorte de ingressar na turma do grande mestre Thiago Barros, que pouco tempo investiu em sabatinar pura teoria e nos mostrou que, assim como na vida, na fotografia não existe certo ou errado. Tudo depende das nossas escolhas, desejos e expectativas.

Logo começamos as saídas práticas, em que batia aquele branco geral das aulas teóricas (“Zerar fotômetro para que mesmo?”), mas o exercício do olhar nos surpreendia a cada bateria de cliques, que com o tempo vão diminuindo. A gente passa a investir mais tempo no olhar do que nos aflitos dedos, libertos pelo sensor digital das míseras 36 poses e 7 dias de espera da película.

A teoria foi se fixando pela prática, pela leitura, pelo olhar dos olhares de toda a turma. O que pode existir de novo na 43ª turma a fotografar a Praia Vermelha à noite (foto)? Acredite, parece tudo novo de novo. Cada um no seu tempo e detalhe traz um pouco de si nas fotos escolhidas e grupalmente dissecadas. Foram seis meses de boas conversas, trocas de experiências, descobertas, pausas, pesquisas, perguntas e novos amigos.

O olho humano é extremamente complexo e nossa visão, tridimensional. Como traduzir esta complexidade em fração de tempo e enquadramento? É uma tarefa sem regras pré-determinadas. Ousadia e paciência são fundamentais para captar um momento especial, usando suas ferramentas (conhecimentos técnicos e câmera) da melhor forma possível. Simples assim.

Para quem curte fotografia e já se frustrou como eu ante tanta beleza, recomendo um bom curso básico. Com um mínimo de técnica, você irá se surpreender com suas possibilidades e descobertas. Mas não me culpe se virar paixão e você começar a madrugar num sábado qualquer para subir a Pedra Bonita (foto) em busca de boa luz – é contagiante.
Assim como cor não é uma característica própria do objeto, mas depende da luz que o ilumina, a fotografia não é característica exclusiva do objeto, mas depende do observador que se encanta.

Se você adora viajar e conhecer lugares lindos e exóticos, ótimo! O mestre Fabio Elias da IMAGENS E AVENTURAS organiza expedições fotográficas impecáveis, de Parati a Dubai. Mas não é preciso ir longe, o cotidiano pode se revelar mágico: uma mosca, seu banheiro, ou uma viagem de negócios à São Paulo.

Boa Viagem!
 

Ana Cristina França é sócia-diretora da APSIS e fotógrafa amadora com uma  simpática Canon EOS 40D em http://www.flickr.com/photos/anasouza892/

 

DICAS:

CURSOS

ATELIÊ DA IMAGEM – www.ateliedaimagem.com.br

IMAGENS E AVENTURAS – www.imagenseaventuras.com.br

THIAGO BARROS – www.thiagobarros.com

 

EQUIPAMENTOS

B&H – www.bhphotovideo.com

FNAC – www.fnac.com.br/foto/secao/cameras/9162.html

CANON – www.canon.com.br/ProdutosCIG.aspx?cat=1

NIKON – http://nikonbrasil.com.br/blog/?p=233
 

anacristina@apsis.com.br

 

 

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