Ederend, dona da Ticket, prevê aquisições

O francês Jacques Stern, CEO mundial da Edenred, dona da marca Ticket de cartões de benefícios, inicia este mês suas aulas de português. Em cinco meses, ele quer estar apto para fazer um discurso sem tradutor para os funcionários do Brasil em sua próxima visita ao país, em outubro. Com isso, vai "pagar" uma aposta feita no ano passado com o presidente da companhia aqui, Oswaldo Melantonio Filho, que, de seu lado, tinha de superar a meta de lucro de 2010. Stern não revela o objetivo estabelecido, mas garante que Melantonio venceu o desafio. O resultado líquido do principal negócio da companhia, a Ticket, subiu 14,8%, para R$ 191,9 milhões no país.

Principal mercado entre os 40 em que o grupo francês opera no mundo, o Brasil é peça-chave para que a companhia atinja os patamares de crescimento global fixados para os próximos cinco anos, entre 6% e 14%. Os planos incluem ir às compras. "Temos uma estratégia de crescimento orgânico em nível mundial, mas vamos ter de olhar aquisições em países onde já estamos, como o Brasil", diz Stern.

A companhia fechou duas compras este ano: da Euroticket, da Romênia, e da RistoChef, da Itália. Stern diz que não há negócios em avaliação no Brasil agora, mas vê potencial para que aconteçam. "Há três grandes atores no mercado brasileiro [além da Ticket, Sodexo e Visa Vale] e atrás deles, uma centena de pequenos concorrentes, há espaço para consolidação."

Apesar do crescimento menor da economia brasileira este ano, a companhia se mantém otimista. "Acreditamos que o nível de emprego se manterá e os primeiros acordos coletivos fechados têm sido bastante favoráveis em conceder a melhora dos benefícios sociais", afirma Melantonio, referindo-se ao aumento do valor de face de cartões concedidos pelas empresas aos funcionários, como os de refeição e alimentação. Além disso, ele aposta no segmento de pequenas e médias empresas. "O crescimento do número de clientes novos de menor porte está mais acelerado", diz. O balanço mundial do grupo no primeiro trimestre apontou crescimento de 16% na receita da operação brasileira.

A expectativa de Melantonio para o ano é manter esse ritmo de expansão também no volume de negócios – um importante indicador do setor, que considera o montante gasto pelos funcionários das empresas com os cartões de benefícios. Em 2010, os cartões da marca Ticket movimentaram R$ 10 bilhões no Brasil e € 13,8 bilhões no mundo (10% mais que em 2009). A receita operacional global subiu menos, 6,3%, para € 885 milhões.

No Brasil, a receita das operações da Ticket (sem contar a divisão de marketing de relacionamento da Edenred, que tem pequena participação) subiu 14,8% no ano passado, para R$ 530,2 milhões. Suas maiores rivais também avançaram. A receita da francesa Sodexo com a divisão de cartões de benefício (o grupo também é um dos maiores fornecedores de refeições coletivas do país) foi de R$ 606,6 milhões, 15% mais que em 2009. A da Visa Vale ficou em R$ 450,7 milhões, uma alta de 26%.

(Luciana Marinelli | Valor)

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