Esquenta disputa pelo mercado de HD no Brasil

A disputa pelo mercado brasileiro de discos rígidos (HD) vai ficar mais acirrada. Tradicionalmente abastecido por importações, o setor contou nos últimos cinco anos com uma única fabricante em terras brasileiras, a Samsung. Mas a coreana acaba de ganhar um competidor local: a americana Western Digital, que anunciou ontem oficialmente parceria com a brasileira Digitron para instalar uma unidade fabril em Manaus. Fontes do setor afirmam que o aumento da produção local deve gerar uma disputa de preços, com reflexos na área de computadores.

O mercado de tecnologia no Brasil demanda hoje 14 milhões de unidades HD por ano, das quais 5,8 milhões são fabricadas pela Samsung na instalação que mantém em Manaus. O restante é importado. A fabricação local garantia à Samsung uma participação significativa no mercado. Isso porque os fabricantes de computadores, para terem acesso aos benefícios fiscais do Processo Produtivo Básico (PPB), têm de comprar componentes produzidos no Brasil. No caso do HD para computadores pessoais de mesa a exigência é de 10% de componentes nacionais; e para notebooks e netbooks, 20%.

A Western Digital já vendia HD ao Brasil desde 1993 com itens importados – com uma média atual de 2 milhões de unidades por ano. O vice-presidente da unidade de armazenamento para PC da companhia, Don Bennett, afirmou que o benefício fiscal da Zona Franca permitirá à empresa dobrar as vendas de HD no país, chegando a 4 milhões de unidades ao ano. "Essa venda equivale a uma receita de R$ 300 milhões", disse Bennett. O diretor sênior de vendas para América Latina da empresa, Ron Pack, estimou que no primeiro ano de operação as importações de HD serão reduzidas em 20%.

De acordo com o vice-presidente mundial de vendas da Western Digital, Scott Davis, se as previsões forem alcançadas, o Brasil passará a representar 2% da produção global da companhia. "Hoje, detemos 31% de participação de mercado no mundo e a meta é chegar a 40% em um ano. A expansão das vendas no Brasil é fundamental para alcançarmos essa meta", disse. Neste ano, a Western Digital ultrapassou a tradicional líder mundial do setor, a americana Seagate, com produção de 52 milhões de unidades por trimestre e expansão de 44% em volume de vendas, em um mercado que cresce em torno de 10%. Para o ano fiscal, a empresa projeta faturamento de US$ 9,8 bilhões e lucro de US$ 1,525 bilhão.

A Samsung, alegou que considera positiva a chegada de um novo concorrente local. "Para nós é importante a vinda de outros fabricantes porque assim concorremos de forma igualitária, com os mesmos benefícios fiscais e também o mesmo custo-Brasil", afirmou o vice-presidente da divisão de tecnologia da informação da Samsung, Ronaldo Miranda. Na avaliação do executivo, a produção local pela Western Digital não trará grandes efeitos para a Samsung. "Acho que a vida vai ficar mais complicada para a concorrente Seagate, que não tem fábrica no Brasil", disse Miranda.

A Seagate, que está entre os três maiores fornecedores de HD ao Brasil, já visitou o Brasil e diz que estuda a produção local há alguns anos. Procurada pelo Valor, a empresa informou por meio de sua assessoria que não tem plano de curto prazo para fabricar HD no país.

A Samsung informou ter planos de investimento para Manaus em 2011, que lhe permitirá dobrar a capacidade de produção de HD, hoje pouco superior a 480 mil unidades por mês. A Western Digital, para instalar a produção de 4 milhões de HD por ano, investiu R$ 5 milhões em equipamentos e US$ 175 milhões em estoques de componentes. A Digitron investiu outros R$ 5 milhões em infraestrutura. Entre os clientes nacionais que a Western Digital já vinha atendendo estão Positivo, CCE, Semp Toshiba, Itautec e Megaware, além dos internacionais Hewlett-Packard (HP), Dell, Lenovo, Acer, Toshiba e Sony.

O diretor-executivo da fabricante de computadores Megaware, Germano Coury, afirma que a Western Digital já avisou a seus clientes que terá produção local, mas não deu detalhes sobre preços. Para ele, a chegada do fornecedor é uma boa notícia. "Todo setor que não tem competição é complicado. Não só do ponto de vista do preço, mas também da tecnologia disponível", diz. Para o executivo, pode haver uma briga por participação de mercado entre Samsung e Western Digital no primeiro momento, ocasionando queda de preço dos HD. Um cenário de preços mais baixos só seria realidade, no entanto, a partir do ano que vem, já que os fabricantes estão abastecidos de componentes para atender a demanda do Natal.

(Cibelle Bouças | Valor)

 

 

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