Eurofarma vai às compras no Chile e reforça expansão

A Eurofarma, uma das maiores farmacêuticas nacionais, concluiu a compra do laboratório chileno Voltae de sua empresa coligada, a FarmaindústriaLtda. O valor do negócio não foi divulgado. Com essa aquisição, a famacêutica brasileira intensifica seu processo de internacionalização na América Latina – no ano passado, a companhia comprou a argentina Quesadae, neste ano, a uruguaia Gautier.

"Queremos cobrir pelo menos 90% do mercado latino-americano. Nossa meta, agora, são os mercados mexicano, colombiano e venezuelano", disse ao ValorMaria Del Pilar Muñoz, diretora de sustentabilidade e novos negócios da Eurofarma. "Vamos fazer uma aquisição internacional por ano", afirmou. A empresa já está analisando alguns ativos nesses países.

As atenções da Eurofarma estão voltadas também para o mercado interno. Neste mês, a companhia comprou aSegmenta, laboratório especializado em soro hospitalar, instalado em Ribeirão Preto (SP), marcando a entrada da empresa nesse segmento. A transação foi avaliada pelo mercado em R$ 400 milhões – a empresa não confirma esse valor.

O laboratório Volta, fundado há 60 anos, atua nas áreas de prescrição médica, genéricos e produtos hospitalares, enquanto sua coligada, a Farmindústria, fabrica medicamentos para terceiros. Mesmo pequeno, o mercado chileno é o sexto mais importante na América Latina, com vendas superiores a US$ 1 bilhão por ano.

Com essa aquisição, feita com capital próprio, a Eurofarma passou a ter 60% de participação do laboratório chileno. A estratégia de internacionalização da Eurofarma começou em 2009, com a compra de 95% da farmacêutica argentina Quesada – os 5% restantes serão adquiridos em dois anos. Com um portfólio de 30 produtos, a companhia argentina atua no setor privado, com foco nas áreas de gastroenterologia e cardiologia. Neste ano, a Eurofarma anunciou a compra de 90% do laboratório uruguaio Gautier. Presente no mercado há 93 anos, a empresa, com presença no Paraguai e também na Bolívia, possui 57 produtos e atua nos segmentos de psiquiatria, neurologia, cardiologia e medicina geral.

A farmacêutica Volta é um dos principais laboratórios do Chile, com destaque nas áreas de oftalmologia, cardiologia e dermatologia. A empresa comercializa cerca de 200 apresentações de medicamentos, entre produtos de marca e genéricos, e deve fechar este ano com vendas de cerca de US$ 20 milhões.

"Nossa meta é alcançar a terceira posição no ranking de maior companhia de medicamentos no país", afirmou Maria Del Pilar. Hoje, a companhia está entre as cinco maiores no varejo em genéricos e prescrição e a terceira maior na área hospitalar. "A internacionalização nos permitirá o licenciamento de nossos produtos em importantes mercados latino-americanos", disse. A expectativa é de que, a partir de 2012, a empresa já garanta a licença de registros de seus medicamentos nesse país.

Fundada em 1972, a Eurofarma deverá encerrar este ano com faturamento em torno de R$ 1,4 bilhão, um crescimento de 13% sobre 2009, quando registrou receita de R$ 1,2 bilhão. Com a aquisição da Segmenta, a expectativa da companhia é crescer 30% em vendas em 2011. A empresa atua em praticamente todos os segmentos farmacêuticos e também na área de saúde animal.

Até 2015, a meta da companhia é cobrir 90% do mercado latino-americano, para garantir uma forte presença internacional. Em Itapevi, na Grande São Paulo, a empresa mantém sua nova planta industrial.

A companhia não tem planos, pelo menos no curto prazo, de abrir capital. "Trabalhamos para que um dia estejamos preparados para isso", afirmou Maria Del Pilar. Neste momento, a companhia estuda um novo modelo de negócios, em parceria com a também farmacêutica paulista Cristália, para o desenvolvimento de novos produtos. A Eurofarma descarta inicialmente fazer a aquisição ou mesmo uma incorporação da Cristália.

A empresa também fechou importante parceria com a americana Pfizerneste ano, para produzir a versão genérica do medicamento Lipitor, de combate ao colesterol elevado. Esse remédio, o mais vendido no mundo e conhecido como "blockbuster", com receita anual em torno de US$ 13 bilhões, teve sua patente expirada no Brasil neste ano.

(Mônica Scaramuzzo | Valor)

 

 

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