Executivo espanhol é cotado para assumir Telefônica no Brasil

O espanhol Luis Miguel Gilpérez López é o nome mais cotado para comandar as operações da Telefônica no Brasil, afirmou ao Valor fonte que acompanha o assunto. O executivo deverá ser o responsável pela estratégia operacional e comercial da companhia – que formalizou, anteontem, a incorporação da Vivo pela Telesp.

O presidente do grupo Telefônica no Brasil, Antonio Carlos Valente, poderá continuar no cargo e ter um papel ainda mais institucional do que tem hoje. Entretanto, não está definida ainda a permanência, no grupo, do principal executivo da Vivo, Roberto Lima, que passaria a responder a Gilpérez.

Lima é um dos nomes cotados para assumir o comando da Oi em substituição a Luiz Eduardo Falco, que vai deixar a presidência da operadora até o fim de junho. Por outro lado, o executivo conduziu a recuperação da Vivo nos últimos anos, o que pode lhe render pontos com os espanhóis para ficar na Telefônica.
Uma reunião do conselho de administração da companhia espanhola, ainda sem data marcada, vai traçar o desenho da governança da operadora. Separadas, a Telesp e a Vivo adotavam modelos diferentes. A operadora de telefonia fixa tem um diretor-geral, Mariano De Beer, e um presidente, Valente, que também é o responsável por todo o grupo no país. Na Vivo, não existe essa figura do diretor-geral. A estrutura da operadora de telefonia móvel é constituída por presidência e vice-presidências com designações específicas.

Procurada pelo Valor, a assessoria de imprensa da Telefônica no Brasil informou que não comentaria o assunto.

Gilpérez foi destacado pela Telefónica de España, em outubro do ano passado, para cuidar da integração dos negócios da operadora no mercado local. O executivo também foi nomeado diretor da regional brasileira do grupo, que foi criada na mesma época e está debaixo da Telefónica Latinoamérica.

Portanto, a escolha do espanhol para comandar as operações brasileiras seria um passo quase natural. A integração operacional entre a Telesp e a Vivo ainda é um processo em andamento, apesar de já ter sido feita a incorporação societária.

Na quarta-feira, os acionistas da operadora de telefonia móvel aprovaram a incorporação da empresa pela Telesp. Porém, as companhias ainda têm estruturas, planos de serviços e marcas separadas. Além disso, internamente, as duas equipes estão longe de constituir um time coeso, já que até agora trabalharam de forma independente.

Após a integração operacional, a companhia vai passar a atuar apenas com a bandeira Vivo. A Telefónica estipulou um cronograma segundo o qual a unificação deve estar concluída até o fim de 2012. Porém, conforme noticiou o Valor em março, a operadora gostaria de terminar o processo ainda neste ano. A união vai gerar sinergias de € 2,3 bilhões a € 2,7 bilhões, segundo estimativas do grupo espanhol. A maior parte desse ganho deve ser proveniente de eficiências fiscais decorrentes da incorporação da Vivo.

As perspectivas da Telefónica de España para o mercado brasileiro são otimistas. Numa recente apresentação a investidores, em Londres, a operadora projetou crescimento de seis vezes no número de assinantes de banda larga móvel no país até 2013 (chegando a 20 milhões de usuários). No mesmo período, os planos são de triplicar a base de TV por assinatura, atingindo 1,4 milhão de clientes, e de aumentar em 54%, para 5,1 milhões, o número de conexões de banda larga fixa.

A integração da Telesp com a Vivo resultará na maior operadora de telecomunicações do país. A receita líquida somada das duas companhias foi de R$ 33,9 bilhões no ano passado – um pouco à frente da Oi, que alcançou R$ 29,5 bilhões.

As mudanças no grupo espanhol acontecem em paralelo à entrada da Portugal Telecom na Oi. Espanhóis e portugueses eram sócios na Vivo até o ano passado, quando fizeram um acordo que deu à Telefónica o controle total da operadora de telefonia móvel.

Por isso, há quem aposte na escolha de Roberto Lima para presidir a Oi. Entretanto, ainda não está claro se seu nome vai ser defendido pelos portugueses. Ricardo Knoepfelmacher, sócio da gestora de recursos Angra Partners e ex-presidente da Brasil Telecom, é outro executivo cotado para substituir Falco.

(Talita Moreira | Valor)

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