Fibria vende Conpacel por R$ 1,5 bilhão

SÃO PAULO – A Fibria, empresa resultante da fusão entre Votorantim Celulose e Papel (VCP) e Aracruz, fechou ontem à noite a venda de sua participação no Conpacel, consórcio que abrigou os ativos da antiga Ripasa, e a distribuidora de papéis KSR por R$ 1,5 bilhão para a Suzano Papel e Celulose, que é sua sócia no consórcio. Cada uma das companhias detinha fatia de 50% no Conpacel e a Suzano tinha direito de preferência no negócio – a Fibria havia sinalizado há meses a intenção de se desfazer de seus ativos na área de papel.

A transação põe fim a uma parceria iniciada em 2005, quando VCP e Suzano se uniram na compara da papeleira Ripasa a fim de evitar o avanço de concorrentes estrangeiros no setor, e vai ao encontro dos interesses das duas companhias: a Suzano reforça presença no mercado de papéis, no qual já é líder, e a Fibria concentra sua operação no negócio de celulose branqueada de eucalipto, no qual ocupa posição de destaque mundial.

O presidente da Fibria, Carlos Aguiar, contou ao Valor que a proposta da Suzano foi recebida no fim de semana e a negociação ocorreu em "tempo recorde". "A proposta é muito boa para os dois lados. E o ativo já era bem conhecido pelas duas empresas, o que facilitou o processo", afirmou. Empresas estrangeiras teriam demonstrado interesse na compra da participação da Fibria no Conpacel, porém nenhuma proposta firme teria sido encaminhada à companhia. A Suzano, por sua vez, sempre declarou interesse em assumir a totalidade do consórcio, desde que o preço de venda fosse "interessante", segundo o presidente da companhia, Antonio Maciel Neto.

Na avaliação de Aguiar, a venda da participação de 50% no Conpacel traz ainda mais tranquilidade à Fibria na retomada dos planos de expansão, que se iniciam com a duplicação da fábrica de Três Lagoas (MS), com início de operação previsto para 2014. Em seguida, a empresa deverá inaugurar, junto com a sócia sueco-finlandesa Stora Enso, a segunda linha de produção de celulose na baiana Veracel. "Seguimos com disciplina na gestão do endividamento e vamos analisar qual a melhor destinação para os recursos, além da retomada de investimentos."

Em fato relevante divulgado ontem à noite, Suzano e Fibria informaram que a proposta pelas instalações industriais, terras e florestas detidas pela segunda companhia no Conpacel foi de R$ 1,45 bilhão. Os R$ 50 milhões restantes referem-se à KSR, que era uma unidade de negócios da Fibria, e estão sujeitos a ajuste após auditoria. A conclusão da operação está prevista para até o fim de janeiro, com a assinatura do contrato definitivo. Já a venda da KSR à Suzano deve ser sacramentada até 28 de fevereiro.

O Conpacel, de Consórcio Paulista de Papel e Celulose, é formado, atualmente, por uma fábrica de papel e celulose instalada em Limeira, no interior de São Paulo, com capacidade de produção de 390 mil toneladas por ano de papéis de imprimir e escrever e 650 mil toneladas anuais de matéria-prima. Além desses ativos industriais, inclui 76 mil hectares em terrenos próprios e 71 mil hectares de florestas plantadas, dos quais 53 mil hectares próprios e 18 mil hectares arrendados.

(Stella Fontes | Valor)

 

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