Fortaleza investe em três fábricas novas

Terceira maior fornecedora de argamassa do país, atrás das líderes Quartzolit e Votorantim, a Fortaleza, com sede em Barueri (SP), está investindo R$ 30 milhões para construir de uma vez só três fábricas novas e quadruplicar sua capacidade de produção. As vendas da empresa crescem a uma taxa de 50% ao ano desde 2008 – bem acima do crescimento do setor de construção, que variou entre 8% e 10% ao ano – e ela atingiu em 2009 seu limite de capacidade, com operários trabalhando em três turnos.

Os novos investimentos vão elevar a capacidade da empresa das atuais 18 mil toneladas ao mês para perto de 70 mil toneladas/mês. Essa nova capacidade instalada vai permitir à Fortaleza avançar sobre a concorrência em um mercado altamente pulverizado – o sindicato do setor estima que ele movimente R$ 1,3 bilhão ao ano, divididos entre nada menos do que 190 fabricantes. A Fortaleza, hoje, fatura cerca de R$ 100 milhões ao ano.

Além de avançar sobre as pequenas marcas regionais, a Fortaleza quer crescer na venda direta às grandes construtoras – ramo monopolizado pelas duas líderes do setor. Segundo Antônio Sérgio Moutinho Jr., diretor comercial da empresa, até poucos anos atrás as construtoras compravam dos varejistas. Quando veio o aumento da atividade na construção civil e a disseminação a compra direta do fabricante, a Fortaleza ficou de fora, pois estava com a capacidade produtiva tomada.

O crescimento acima do normal da Fortaleza ocorreu devido à mudança na estratégia de vendas, conta Moutinho: a empresa trocou os representantes comerciais por vendedores contratados, com dedicação exclusiva aos produtos da empresa. Com isso, conseguiram chegar a mais pontos de venda e crescer acima da média do mercado.

A ampliação do número de fábricas da Fortaleza tem a ver com as dificuldades logísticas do mercado. Como se trata de um produto de baixo valor agregado – basicamente, cimento e areia – é preciso ter uma boa logística e estar perto do consumidor.

Das três novas unidades, a empresa vai instalar uma em São Roque (SP), a oeste da capital, que substituirá a fábrica de Barueri, já com 41 anos de idade; uma fábrica em Araraquara, no interior paulista, e outra em Queimados, no Rio de Janeiro. Com a construção de mais centros de distribuição, a ideia é criar uma maior amplitude regional para as unidades. A fábrica de Araraquara, com três centros de distribuição dedicados, deve atender a um raio de até 700 km, levando o produto até o Paraná, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais.

Hoje, além da unidade própria de Barueri, com capacidade de 15 mil toneladas/mês, a empresa se vale de oito produtores terceirizados – fábricas de marcas regionais que processam e embalam a argamassa da Fortaleza em estados mais distantes. Um dos planos da empresa é substituir alguns desses terceirizados por produção própria no futuro, pois eles também começam a ficar com a capacidade de produção tomada. Ainda não há planos definidos, mas é provável que as primeiras unidades dessa segunda fase de expansão ficarão na Bahia e próximo a Goiânia e Brasília – regiões com crescimento acelerado no consumo de material de construção.

(Fernando Teixeira | Valor)

 

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