Genzyme planeja expansão no Brasil por parcerias

SÃO PAULO – Independentemente do futuro da Genzyme, que recebeu oferta hostil da francesa Sanofi-Aventis para obter o seu controle, o laboratório americano mantém firme seus planos de expandir seus negócios no Brasil. Embora haja intenção de ter uma fábrica própria no país, a expansão, nesse primeiro momento, ainda deverá ser por meio de parcerias.

No início de outubro, a Genzyme recusou, pela segunda vez, uma oferta de aquisição da Sanofi-Aventis de US$ 18,5 bilhões, ou US$ 0,69 por ação. A companhia foi processada por investidores alegando que agiu de forma injusta por privar seus acionistas da chance de lucrar com a oferta da farmacêutica francesa.

Especializada em doenças genéticas raras, a Genzyme não está entre as maiores em receita dentro de seu segmento, mas segue no topo em pesquisa e desenvolvimento (P&D) em tratamentos. Quarta maior em biotecnologia no mundo, a empresa tem expertise em combater doenças raras, como Gaucher e Fabry, por exemplo -, além de atuar nas áreas renais, ortopedia, oncologia e endócrino. O mal de Gaucher está relacionado a problemas de uma enzima chamada glicocerebrosidase, afetando o baço, o fígado, os ossos e o sistema nervoso central (SNC). Já a de Fabry se caracteriza como crônica, conduzindo a uma isquemia cardíaca, cerebrovascular e renal.

Em entrevista ao Valor, Frédéric Turner, presidente da Genzyme para América Latina, disse que o Brasil está no radar da companhia, ao lado dos Estados Unidos, França, Japão e Índia. "Somos uma companhia internacional, de inovação, com gestão de ponta. Podemos ter investimentos em vários lugares."

Segundo Turner, a Genzyme olha o Brasil como um todo. "Aqui [para o país] olhamos tudo, incluindo parcerias e produção. Considerando os próximos 5 a 10 anos temos de pensar em tudo."

Como atinge um número de pacientes restrito, as vendas de medicamentos para doenças genéticas raras são feitas diretamente para os governos. No Brasil, a Genzyme começa a enfrentar a concorrência da inglesa Shire, que teve seu medicamento para tratamento para doença de Gaucher aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). No Brasil, a estimativa é de que cerca de 3.000 pessoas tenham essa doença.

Em 2009, a Genzyme registrou faturamento global de US$ 4,9 bilhões. A América Latina teve receita de US$ 300 milhões – o Brasil responde por 50% desse total.

Turner ressaltou que cada país latino-americano tem seus contrastes e características diferentes e o principal desafio da companhia no Brasil é construir uma iniciativa sólida. "A Genzyme está mudando em todo o mundo", observou. O grupo está intensificando pesquisas em diversas frentes e busca cooperação e parcerias com o setor privado e público, como universidade, para avançar no país.

(Mônica Scaramuzzo | Valor)

 

 

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