Gerdau anuncia plano bilionário para dobrar Cosigua

RIO – O grupo Gerdau anuncia hoje no Rio um investimento da ordem de R$ 2,5 bilhões para duplicação da Cosigua, sua fábrica de aços longos situada no distrito industrial de Santa Cruz. Nos últimos anos, essa unidade foi renomeada para Gerdau Aços Longos. O anúncio será feito por Jorge Gerdau, presidente do conselho de administração da companhia, no Palácio Guanabara, na presença do governador Sergio Cabral.

Criada há 40 anos, numa joint venture com o então grupo alemão Thyssen A.G., a antiga Companhia Siderúrgica da Guanabara tem capacidade instalada atual de 1,2 milhão de toneladas de aço bruto e de 1,4 milhão de toneladas de produtos laminados, como vergalhões e barras, usados na construção civil.

O novo investimento da Gerdau – que disputa palmo a palmo o mercado de aços longos no país com a gigante ArcelorMittal -, segundo fontes do setor, deve contemplar um grande laminador, a ser abastecido com tarugos provenientes de um novo forno na siderúrgica ou da Açominas, grande usina do grupo que está situada em Ouro Branco (MG).

A expansão da Gerdau é estimulada pelas perspectivas promissoras no mercado de aços longos, com a previsão de aumento da demanda no país pelo setor imobiliário, industrial e de infraestrutura. Além disso, há os eventos Copa do Mundo de 2014 e a Olimpíada de 2016. O investimento é bastante expressivo na avaliação de analistas do setor.

O movimento da Gerdau faz parte de uma corrida nesse mercado. No ano passado, a ArcelorMittal anunciou investimento para duplicar sua unidade de João Monlevade, em Minas Gerais, da ordem de R$ 2 bilhões. Vai entrar em operação até o fim do próximo ano. Na semana passada, o presidente da divisão de aço longo do grupo informou ao Valor que a usina de Cariacica, no Espírito Santo, terá a capacidade ampliada em 40% sobre as 600 mil existentes hoje. A Votorantim Siderurgia, depois de inaugurar no fim de 2009 a usina de Resende (RJ), de 1,05 milhão de toneladas, está construindo uma nova laminação em Mato Grosso do Sul, de 450 mil toneladas, numa joint venture com Alexandre Grendene. Vai ficar pronta em abril de 2012.

A produção de aços longos no Brasil no ano passado, conforme dados do Instituto Aço Brasil (IABr), foi de 10,2 milhões de toneladas de produtos laminados, com aumento de 22% em comparação à 2009. As vendas das siderúrgicas no mercado interno alcançaram 8,9 milhões de toneladas, diante de um mercado que consumiu entre 10,1 milhões e 10,5 milhões de toneladas. A diferença foi coberta por elevada taxa de penetração de aço importado, que atingiu 1,35 milhão de toneladas. Esse volume representou 165% de aumento sobre o ano anterior e abocanhou cerca de 13% do mercado brasileiro. As empresas exportaram 1,2 milhão de toneladas.

Amanhã, a Gerdau divulga o resultado do quarto trimestre. A média das projeções de analistas para a receita líquida no período é de R$ 7,5 bilhões, pouco acima dos R$ 6,3 bilhões de 2009. O Ebitda previsto, na média, é de R$ 856 milhões, abaixo de R$ 1,2 bilhão do mesmo trimestre um ano antes. O lucro líquido projetado é de R$ 290 milhões, ante R$ 643 milhões do mesmo trimestre de 2009. A Gerdau, assim como Usiminas, tem sofrido com a alta de preços de matérias-primas: sucata, minério de ferro e carvão.

(Vera Saavedra Durão e Ivo Ribeiro | Valor)

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