Grupo analisa efeito da concorrência no mercado

A disputa de preços entre as corretoras levou a bolsa e as principais instituições do mercado a se articularem. Um grupo formado por seis corretoras, juntamente com a associação do setor, Ancord, e a BM&FBovespa, está discutindo como essa briga pode acabar afetando a saúde das instituições, que constituem o canal fundamental de distribuição do mercado.

O grupo – do qual participam Itaú Corretora, HSBC, Interfloat, Fator, XP Investimentos e BTG Pactual – já fez duas reuniões para analisar a concorrência e as perspectivas do setor. A expectativa é que a disputa de preços acabe por acelerar o processo de consolidação do mercado. "A previsão do grupo é que, das atuais 90 corretoras, 40 fechem nos próximos anos", afirma um executivo que pediu para não ser identificado. A própria bolsa já teria se convencido de que o segmento de corretoras vai ter de diminuir e ganhar competitividade.

O grupo é visto também como uma forma de acelerar o processo de consolidação, já que seus participantes são candidatos naturais a comprarem concorrentes. O próprio Programa de Qualidade da Bolsa (PQO) deve incentivar essas fusões ao aumentar as exigências para as corretoras menores, que não terão condições de cumprir todas as exigências em um ambiente de tarifas mais baixas. "Muitas corretoras já estão trabalhando no prejuízo, e isso é uma situação que não pode continuar por muito tempo", diz um executivo do mercado.

Ele lembra que o PQO exigirá um processo mais rigoroso de controle dos agentes autônomos, por exemplo, além de melhores sistemas de cadastro e de acompanhamento de risco dos clientes. "Muitas pequenas corretoras se capitalizaram com a venda das ações nas aberturas de capital das bolsas, mas o dinheiro começa a acabar", lembra.

Para a bolsa, também é ruim manter um grande número de corretoras deficitárias, de pequeno porte, pressionando por benefícios. Por isso, veladamente, estaria estimulando o processo de compra de carteiras de outras instituições, dizem executivos. "Basta a Bovespa apertar o cerco em relação aos controles", completa outro executivo.

Procurada, a BM&FBovespa confirmou que participa de um comitê de corretoras, "para analisar a melhoria constante deste que é o seu principal canal de distribuição". Mas nega que o comitê sirva para discutir a consolidação. (AP)

(Valor)
 

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