Grupo Ultra se ajustará ao Novo Mercado

SÃO PAULO – O Grupo Ultra, que nasceu vendendo gás de cozinha de porta em porta, hoje fatura R$ 40 bilhões por ano e é dono de empresas como a distribuidora de combustíveis Ipiranga, vai adotar um modelo típico das companhias abertas americanas que um dia foram familiares como ele. O grupo, que já tem capital aberto, anunciou ontem que irá se ajustar às regras do Novo Mercado.

Como principal mudança, a holding Ultrapar, formada pela família Igel e pelos principais executivos, deixa de ter o controle absoluto dos negócios para dividir o comando com os outros acionistas. Hoje, a holding tem 66% das ações com direito a voto. Com a mudança, ficará com 24% do Ultra.

Isso significa que decisões hoje tomadas pelos controladores precisarão ser negociadas com os demais acionistas. "Se é para fazer capitalismo, vamos fazer direito", afirma o presidente do Conselho de Administração do Ultra, Paulo Cunha. "Vamos abrir mão do controle total em favor do crescimento e da perenização da empresa", diz o diretor-presidente do grupo, Pedro Wongtschowski.

A adesão ao Novo Mercado poderá atrair novos investidores, incluindo estrangeiros, e proporcionar mais liquidez aos papéis do Ultra, que tem cerca de 9 mil funcionários, é o segundo maior distribuidor de combustíveis do País (Ipiranga), o maior na distribuição de gás de cozinha (Ultragaz) e atua nas áreas química (Oxiteno) e de armazenagem (Ultracargo).

O grupo espera que o novo modelo traga duas vantagens principais. A primeira é proporcionar uma porta de saída mais larga caso os controladores – as 20 pessoas da terceira geração da família Igel e das famílias dos principais executivos – desejem deixar o negócio. "Não significa que vamos vender, mas poder vender dá uma sensação boa", afirma Paulo Cunha.

A outra vantagem, de acordo com o presidente do conselho, é proporcionar maior capacidade de investimento ao grupo, usando as ações do Ultra como moeda para aquisição de outras empresas. As aquisições da Ipiranga e a incorporação da Oxiteno, por exemplo, envolveram emissões de ações. Nos últimos cinco anos, o faturamento do grupo saltou de R$ 4 bilhões para R$ 42,5 bilhões no ano passado, em boa parte impulsionado pelas aquisições.

(Agencia Estado)

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