Invepar prevê IPO em 2012 e quer investir em aeroportos

RIO DE JANEIRO – A Invepar, braço de investimentos em infraestrutura do fundo de pensão Previ, pretende realizar uma oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) de cerca de 1,5 bilhão de reais em outubro de 2012, afirmou nesta terça-feira o diretor de participações da Previ, Marco Geovanne.

Segundo ele, o volume do IPO seria o suficiente para garantir investimentos que a empresa pretende fazer no setor de infraestrutura, com foco agora também em aeroportos e portos.

Tradicionalmente, a Invepar investe em rodovias e metrô, além dos setores elétrico e de telecomunicações. Atualmente a empresa tem ativos da ordem de 4 bilhões de reais e Geovanne calcula que irá precisar de cerca de 2 bilhões a 3 bilhões de reais para os próximos investimentos. Desse total, 1,5 bilhão de reais deverá vir do IPO.

"A geração de caixa hoje não é suficiente para o que a gente quer investir, por isso pensamos em um IPO e, com os ativos que temos, o mínimo seria de 1,5 bilhão de reais para manter o free-float de 25 por cento", explicou Geovanne a jornalistas durante balanço de um ano da nova gestão da Previ, capitaneada por Ricardo Flores.

Ele explicou que os investimentos em infraestrutura são adequados para fundos de previdência porque estes precisam de retorno garantido no longo prazo. No caso da Previ, os compromissos de pagamento de aposentadorias vão até 2080.

Na mesa da entidade estão sendo avaliados negócios como a privatização de aeroportos já anunciada pelo governo para Guarulhos, Viracopos e Brasília; a linha 4 do Metrô no Rio De Janeiro; e o trem-bala Rio-São Paulo, cujo leilão está previsto para julho.

APETITE

A Previ entrou recentemente com 180 milhões de reais no Fundo de Investimento em Participação Sondas (FIP Sondas), lançado para investir na Sete Brasil, empresa que é 10 por cento da Petrobras e será responsável pela construção, operação e afretamento de 28 sondas para exploração do pré-sal.

Além disso, a Previ coordena ativamente possíveis reestruturações nos setores elétrico e de telecomunicações por meio de grandes empresas nas quais tem participação.
A entidade disse apoiar a reestruturação da Oi, que recentemente anunciou o nome de Francisco Valim para presidir a empresa no lugar de Luiz Eduardo Falco a partir de setembro.

"Apoiamos a simplificação societária, estamos extremamente favoráveis que essa reestruturação ocorra de fato", disse. Segundo ele, o fato do novo presidente ser um ex-funcionário da Oi e ter passado pela operadora de TV a cabo Net vai ajudar a impulsionar a empresa.

"Estamos bastante confiantes que Valim vai recolocar a Oi na posição que ela merece no mercado brasileiro e também no mercado de ações", declarou.

Já no setor elétrico, uma possível fusão entre CPFL e Neoenergia ainda é uma das alternativas que a Previ tem para resolver uma situação que pode levar a um conflito de interesses, já que a entidade está nas duas empresas.

"Estamos analisando várias alternativas para chegar no modelo que gere mais resultado para a Previ e melhore a concentração da participação da Previ no setor", afirmou.

Geovanne explicou que questões como o grupo que ficaria no comando em caso de fusão, Iberdrola ou Camargo Côrrea, sócias da Previ nas duas empresas, estão sendo discutidas. "Esta e outras questões estão sendo debatidas com os sócios, fusão é apenas uma das hipóteses", informou.

RENDA VARIÁVEL

Impedida por anos de aumentar sua renda variável devido a regras que limitavam este investimento, a Previ está com apetite para ofertas iniciais de ações (IPO), segundo Geovanne.

A Previ participou do IPO do Magazine Luiza no início de maio, com 60 milhões de reais, ou 1,8 por cento do capital da companhia. Também acompanhou no ano passado as ofertas públicas do Banco do Brasil e da Petrobras. Nas duas ofertas bilionárias a Previ investiu 2,9 bilhões de reais para manter sua posição, sendo 2,1 bilhões de reais na estatal de petróleo.
"Ficamos cinco anos sem entrar em nenhum IPO, estamos com apetite", disse o diretor de investimentos da Previ, Renê Sanda. "IPOs ligados a consumo serão vistos com carinho", afirmou.

Já em renda fixa a preocupação da Previ no momento é reduzir o volume de títulos públicos, cujo rendimento, na sua avaliação, tende a cair gradativamente por conta da redução das taxas de juros básicos da economia. Segundo Sanda, a Previ está se antecipando a esse movimento para adquirir experiência.

"Já reduzimos a nossa meta de juros do plano de 5,5 para 5 por cento, já prevendo a queda de rentabilidade", explicou Geovanne, ressaltando que a Previ está buscando aumentar seus ativos em títulos privados.

Entre junho de 2010 e maio de 2011 a carteira de títulos privados da Previ subiu de 3,671 bilhões de reais para 4,163 bilhões de reais, passando a representar cerca de 10 por cento da carteira de renda fixa.

(Denise Luna l Reuters)

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