Investidores buscam parceiros no Brasil

Os fundadores da administradora de fundos de "private equity" Oxford Capital Partners Edward Mott e David Mott fazem esta semana sua primeira visita ao Brasil. Além de ir a bancos e ministérios, os investidores reúnem-se com empresas brasileiras de inovação para avaliar parcerias e acordos de transferência de tecnologia.

Fundada em 1999, a companhia britânica administra cinco fundos de investimento que têm participação em 22 empresas e conta com recursos da ordem de US$ 100 milhões, mas planeja ampliar esse montante para US$ 150 milhões com captação no mercado.

Para o Brasil, a companhia prevê um investimento de até US$ 15 milhões nas joint ventures que pretende formar entre as empresas britânicas nas quais o fundo tem participação e as empresas brasileiras, afirma o diretor-executivo da Oxford Capital Partners, Edward Mott.

Desse total, dois terços viriam dos fundos da companhia. O restante seria de outros investidores, como a Intel Capital e Nokia Growth Partners, com os quais já mantém parceria em outros projetos de investimento. "Estamos avaliando também trabalhar em parceria com a Finep [Financiadora de Estudos e Projetos] e o BNDES. Estamos entusiasmados com o resultado que poderemos ter das reuniões com esses agentes financeiros", afirma Edward Mott.

Os fundos da companhia normalmente fazem aportes de capital entre US$ 1 milhão e US$ 5 milhões. Em relação ao Brasil, a companhia afirma estudar investimentos em ao menos cinco parcerias nas áreas de bioenergia, saúde, software e telecomunicação.

De acordo com o diretor financeiro, David Mott, já existem quatro empresas britânicas do portfólio da Oxford Capital que iniciaram o seu processo de internacionalização e que estão dispostas a formar joint ventures para operar no mercado brasileiro. Para formar parcerias com as empresas do seu portfólio, a Oxfor Capital tem avaliado companhias de inovação de pequeno porte, que tenham controle familiar, ou nascidas em incubadoras e que tenham alto potencial de expansão.

Entre as empresas britânicas decididas a se estabelecer no Brasil está a Oxitec, que nasceu na Universidade de Oxford. A empresa se especializou em desenvolver insetos para controle biológico de pragas que afetam lavouras e a saúde humana. Para o Brasil, o plano é produzir uma fêmea do mosquito da dengue estéril.

Ao copular com os machos, ela não se reproduz. Segundo Edward, em países da Ásia e no México, onde foi testado, o número de insetos foi reduzido em 80% em três meses. "A intenção é ter um parceiro brasileiro, que ficaria responsável pela importação dos ovos e pela produção dos insetos em um ambiente controlado", afirma o executivo. A Oxford Capital negocia parceria com duas empresas, mas os nomes são mantidos em sigilo.

A companhia também tem nos planos para esta semana visitar as 12 maiores usinas de etanol do país, para estimular a formação de uma parceria com a Green Biologics. A empresa desenvolveu uma bactéria capaz de produzir álcool do melaço da cana. De acordo com Edward Mott, ela já tem clientes no Brasil, na Índia, China e nos Estados Unidos.

Outra britânica com capital do fundo em busca de um parceiro brasileiro é a Helveta, que desenvolve software para controle e rastreabilidade de produtos. A companhia tem como principais clientes indústrias madeireiras, que atuam em países da África, Peru, Bolívia e Estados Unidos.

A Arieso, que produz software para a área de telecomunicações, completa o time das empresas interessadas no Brasil. Nos Estados Unidos, a companhia já atende a operadoras como AT&T e Verizon. Localmente, diz Mott, a empresa pretende formar parcerias para desenvolver sistemas que atendam a demandas específicas dos brasileiros.

Questionado sobre a possibilidade de instalar uma unidade no Brasil, David Mott se limitou a dizer que espera primeiro obter sucesso nessas parcerias para depois montar uma unidade da Oxford Capital. "A expectativa é que em 2011 já tenhamos tudo concluído para abrir o escritório", diz. No mundo, a companhia mantém instalações no Reino Unido, Suíça, Escandinávia e China.

(Cibelle Bouças | Valor)

 

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