LG aumenta importação e nova fábrica virá em 2012

A popularidade dos notebooks, aparelhos de DVD e TVs de tela plana da LG deixam no brasileiro a impressão de que o principal negócio da marca coreana são os eletroeletrônicos. Mas, no ano passado, 34% das vendas de US$ 48,2 bilhões da multinacional vieram dos eletrodomésticos, o que faz a categoria concorrer em pé de igualdade com a linha de áudio e vídeo na receita da companhia. Tanto que a meta da LG é tornar-se a maior fabricante mundial de eletrodomésticos até 2014, com faturamento de US$ 20 bilhões. A líder Whirlpool faturou US$ 18 bilhões em 2010. Para conquistar seu objetivo, a LG realçou a importância do Brasil no mapa: está ampliando importações e a produção local.

Enquanto não instala o seu polo industrial de linha branca em Paulínia (SP), que deve entrar em funcionamento na metade de 2012, com investimentos de US$ 115 milhões, a LG reforça o portfólio. A ideia é triplicar, ainda em 2011, a venda dos eletrodomésticos no país, que em 2010 representaram apenas 3% do faturamento total, de R$ 5,3 bilhões. Para isso, conta com novos produtos importados e nacionais de apelo tecnológico.

A LG foi buscar na concorrência o executivo que tem a missão de perseguir esses resultados. O engenheiro Marcelo Perin, de 45 anos, prata da casa da BSH Continental/Mabe, onde trabalhou 16 anos, foi contratado há um ano para o cargo de gerente geral de linha branca, até então inédito no país. Nesse período, estudou o mercado brasileiro e a concorrência, procurando adaptar o melhor da tecnologia coreana ao bolso da classe média alta nacional. A seleção dos novos eletrodomésticos chega às lojas entre este mês e setembro.

"Não temos pressa de nos tornarmos líderes", diz Perin. "Nossa marca é percebida como símbolo de qualidade em eletroeletrônicos, vamos fazer o mesmo com os eletrodomésticos no Brasil", diz. No país, a empresa já fabrica microondas (em Manaus) e máquinas de lavar com abertura frontal (em Taubaté). O portfólio da linha branca salta de 18 para 30 itens neste ano, entre importados e nacionais, com alguns destaques.

Um deles é a máquina de lavar que promete dispensar a presença física do técnico para diagnosticar defeitos: basta discar para o Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC) e aproximar o celular do eletrodoméstico, que vai emitir um sinal sonoro identificado pela central de atendimento que, a partir daí, identifica o erro. O preço desta começa em R$ 2,3 mil. Uma geladeira "frost free" (não precisa ser descongelada) de 436 litros vem equipada com uma luz interna que reduziria pela metade a perda de clorofila das verduras – a partir de R$ 3 mil.

Para Oliver Römerscheidt, consultor da GfK, o brasileiro tem se mostrado disposto a pagar mais por um produto com maior apelo tecnológico. "Atributos como economia de energia, maior eficiência e espaço são bastante relevantes", diz ele. No primeiro semestre de 2011, as vendas de linha branca cresceram 7,7%, em valor, e 5,6%, em volume, no país.

A LG precisou negociar com a matriz durante cinco anos a instalação de um polo de produção de linha branca nacional. "A LG é muito exigente com o seu padrão de qualidade e a filial precisou demonstrar que está preparada", diz Perin. A fábrica de Paulínia, a 118 quilômetros da capital paulista, será instalada em um terreno de 702 mil m2, doado pela prefeitura. "As obras devem começar ainda este ano", diz Humberto De Biase, diretor de marketing da LG Brasil.

Segundo ele, a linha branca não enfrenta a mesma "corrosão" que a linha marrom, na qual a rapidez de renovação de produtos é muito mais intensa. "E é incentivada a cada dois anos, com os dois grandes eventos esportivos mundiais, Copa do Mundo e Olimpíada", diz De Biase.

A empresa decidiu apostar na fabricação nacional em um momento delicado. Tanto indústria quanto varejo reclamam que as vendas vêm crescendo em um ritmo menor. Os custos com mão de obra e matéria-prima devem elevar o preço dos eletrodomésticos no ponto de venda em cerca de 8% a partir deste mês de agosto. Segundo Perin, esses custos já foram computados nos novos produtos.

No mundo, a LG diz ser líder na venda de máquinas de lavar, com base em pesquisas das consultorias GfK, NPD e Stevenson Company. O primeiro lugar teria sido tomado da Whirlpool, inclusive nos Estados Unidos, segundo a LG.

(Daniele Madureira | Valor)

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