Lupatech venderá ativos para reduzir dívida

Compromissos de curto prazo levam companhia de bens de capital a reestruturar suas operações, buscar novo financiamento e aprofundar sinergias.

Os próximos 12 meses serão decisivos para a Lupatech. Vista há pouco tempo pelo mercado como uma das mais bem-sucedidas fabricantes brasileiras de bens de capital, a companhia enfrenta problemas de geração de caixa desde meados do ano passado e tem pela frente dívidas a quitar que somam R$ 165 milhões, a maior parte com vencimento de janeiro a março de 2012.

Superada esta etapa, as perspectivas são promissoras. Só em pedidos em carteira, a maioria para a Petrobras e seus fornecedores, a Lupatech tem cerca de R$ 2,6 bilhões. E é dona de tecnologias com grande potencial de negócios na exploração dos campos do pré-sal.

A estratégia para atacar o problema já está esboçada. No primeiro trimestre deste ano, a companhia levantou R$ 160 milhões em financiamentos junto aos bancos Votorantim, Itaú BBA e Bradesco, e ganhou fôlego para buscar compradores para ativos dos quais pretende se desfazer – R$ 120 milhões foram captados através do programa Progredir, que oferece condições facilitadas para fortalecer fornecedores diretos e indiretos da Petrobras.

Do total, R$ 55 milhões foram usados para quitar parte da dívida com vencimento neste ano, o que fez com que os débito a curto prazo caísse para aproximadamente R$ 110 milhões.

Agora, diz Alexandre Monteiro, vice-presidente de finanças e diretor de relações com investidores da Lupatech, no cargo desde o dia 29 de abril, a ideia é levantar mais algo entre R$ 150 milhões e R$ 200 milhões, até o final de 2011, com a venda de ativos que a Lupatech considera terem pouca relevância para o seu crescimento nos próximos anos.

O executivo não cita que ativos serão vendidos, mas por exclusão pode-se deduzir que fazem parte das operações do segmento de metalurgia. "Válvulas e petróleo serão o nosso futuro", afirma Monteiro.

Em paralelo, a companhia pretende aprofundar a busca de sinergias entre as 15 empresas que adquiriu desde a abertura de capital, em 2006. São nomes como Cordoaria São Leopoldo (CSL), Fiberware, Kaestner & Salermo e Ocean Coating Revestimentos, que acrescentaram ao portfólio da companhia boa parte das tecnologias que garantiram a conquista de contratos bilionários com a Petrobras – entre as tecnologias estão, por exemplo, revestimentos para tubos capazes de resistir à corrosão provocada pelo sal que encobre a camada pré-sal.

As operações ainda não foram 100% integradas por causa dos modelos de contrato de aquisição, o que, segundo Monteiro, poderá ser feito a partir de agora.

Na avaliação de analistas, porém, nada disso adiantará caso os mercados em que a companhia atua, em particular os cabos de ancoragem e válvulas industriais, não voltem a comprar nos volumes que vinham comprando até 2008. É o que diz Artur Delorme, analista de indústria da Ativa Corretora.

"Sem uma melhora significativa das vendas, serão apenas medidas paliativas", afirma. "Só o serviço da dívida é de R$ 100 milhões a R$ 120 milhões ao ano".

O aumento da receita permitiria a diluição de custos fixos e a melhora das margens de lucro, que no primeiro trimestre deste ano começaram a melhorar, mas ainda estão longe do que o mercado e a própria companhia consideram ideal. "Acredito que o resultado vai melhorar. O discurso deles no primeiro trimestre deixou o mercado mais otimista", diz Delorme.

(Dubes Sônego l Valor)

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