M&C Saatchi, do Reino Unido, une agência local com FabraQuinteiro

O  grupo M&C Saatchi, terceira maior companhia do setor publicitário na Inglaterra, anuncia na manhã de hoje uma fusão dos negócios no país com a empresa brasileira FabraQuinteiro, dos empresários Paschoal Fabra Neto e Fernando Quinteiro. A nova companhia criada com a união das operações será a M&C Saatchi F&Q, que nasce com 60 funcionários e terá a M&C Saatchi Brasil como acionista majoritária, com cerca de 51% do negócio. Fabra Neto e Quinteiro ficam com a fatia restante.

Esse é um movimento crucial para o grupo inglês consolidar seus negócios no país, onde opera localmente há apenas dois anos. No mundo, a M&C Saatchi registrou expansão da receita de 21% em 2010 (125 milhões de libras) e alta de 28% no lucro operacional. O grupo foi criado em 1995 pelos irmãos Maurice e Charles, que estiveram na origem da conceituada Saatchi & Saatchi e são alguns dos nomes mais respeitados do meio no mundo.

Os grandes conglomerados estrangeiros de comunicação têm expandido suas áreas de atuação nos países emergentes após a crise global de 2008. "Estávamos com os olhos bem abertos, avaliando uma parceria para crescermos mais rápido", conta Geoffrey Hamilton-Jones, presidente da agência recém-criada e fundador do braço da empresa inglesa no país. "O Brasil é muito rentável, o que fazemos aqui dá um bom lucro". Com a fusão, a M&C Saatchi consegue complementar suas operações no país. Enquanto a agência brasileira foca a atuação principalmente nas áreas de publicidade e design, a estrangeira tem desenvolvido trabalhos em mídia digital e possui um braço especializado em pesquisa com consumidores.

Foram cerca de dois meses de negociações entre as partes. A sede da nova empresa será no atual escritório da M&C Saatchi em São Paulo, que deve reunir as estruturas das duas agências. Em relação a possíveis enxugamentos nas empresas fundidas, Fabra Neto diz que "a sobreposição de postos é pequena e a redução no quadro será mínima".

As empresas não informaram previsão de faturamento do novo negócio ou os resultados das companhias nos últimos anos no Brasil. Juntas, elas somam hoje mais de 25 clientes locais. A consultoria SPGA, que tem Sérgio Guerreiro como um dos sócios, trabalhou para aproximar as partes e levantar dados sobre o mercado local. A hipótese de prospectar novos negócios no Brasil, diz Hamilton-Jones, está temporariamente afastada. "Temos muito o que fazer nos próximos meses. Agora não dá para pensar em outra coisa", diz ele.

(Adriana Mattos | Valor)
 

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