Mercadomóveis eleva oferta pelo Baú da Felicidade

Varejista paranaense quer comprar as 89 lojas da rede de Silvio Santos no Sul; proposta inicial previa apenas 50 unidades.

Esta semana Márcio Pauliki não pretende desgrudar do telefone. O dono de uma das mais importantes varejistas de eletroeletrônicos do Paraná aguarda resposta do Bradesco BBI – braço de assessoria financeira do banco que detém o mandato de venda das lojas do Baú da Felicidade -, em relação a sua terceira proposta de compra da rede de Silvio Santos.

Se passar para a próxima rodada de negociações, o empresário terá acesso aos números da varejista.

A nova proposta de Pauliki, entregue há duas semanas, contempla a compra das 89 lojas localizadas no Paraná, e não mais as 50 unidades listadas na oferta anterior.

"Ofereci um valor acima do mercado por estes pontos de venda, o qual pretendo recuperar com a sinergia entre as lojas", afirma Pauliki, que mantém em segredo a quantia proposta, devido a um contrato de confidencialidade.

Para chegar a este valor, Pauliki contratou a consultoria V2, a mesma que o ajudou em 2009, quando tentou comprar a varejista de eletroeletrônicos Dudony, posteriormente adquirida por Silvio Santos.

"Além de nos ajudar com a proposta, a V2 também está disponível para qualquer reunião emergencial que possa ocorrer em São Paulo", diz Pauliki.

No entanto, ainda não houve a necessidade de encontros, já que as conversas com o pessoal do Bradesco BBI têm ocorrido por e-mail.

A primeira proposta de Pauliki foi enviada a José Roberto Prioste, presidente do Baú da Felicidade. Na época, a recomendação foi procurar a consultoria Galeazzi, que sondava compradores interessados na varejista, para o envio de um documento formal.

No entanto, durante as conversas, Silvio Santos tirou a Galeazzi da jogada e contratou o Bradesco BBI. Foi aí que Pauliki tentou montar um consórcio com outras varejistas para que cada uma das empresas envolvidas comprasse uma parte da rede do Baú.

Porém, a ideia fracassou e, para continuar tendo chance na disputa, o empresário propôs a compra da totalidade das lojas de Silvio Santos no Paraná.

A esperança de Pauliki é que alguma empresa proponha somente a compra do pontos de venda de São Paulo, pois o empresário não acredita que Silvio Santos seria capaz de vender somente as unidades do Sul do país.

Caso consiga sair vencedor na negociação, cerca de 39 lojas do Baú serão muito próximas de unidades da Mercadomóveis.

"É melhor disputar venda com a própria rede do que perder espaço para a concorrência", diz Adir Ribeiro, diretor da Praxis Education, consultoria especializada em varejo e canais de distribuição, analisando a estratégia da Mercadomóveis.

"Após um ano, a varejista pode fazer uma nova avaliação e, se for o caso, desfazer-se das lojas que estão muito próximas."

Perspectivas

Pauliki acredita que o Baú vai esperar o fechamento do balanço do mês de maio para dar uma resposta sobre sua intenção de venda.

"O Dia das Mães é a segunda melhor data para o comércio, só perde para o Natal. Acho que eles querem avaliar o desempenho das lojas neste período", diz Pauliki.

Na Mercadomóveis as vendas de maio cresceram 15% impulsionadas por celulares e TV”s de LCD. A companhia, hoje com 145 lojas, fechou 2010 com faturamento de R$ 400 milhões. "Se não conseguirmos comprar o Baú vamos ter de acelerar nossa expansão orgânica, ou seja, loja por loja."

(Cintia Esteves l Brasil Econômico)

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