Micromax, da Índia, chega ao Brasil

A Micromax, maior fabricante indiana de celulares, anuncia na próxima semana sua chegada ao Brasil. A companhia vai atuar no país, inicialmente, por meio de uma parceria com a Nagem – distribuidora e varejista de produtos eletrônicos de Pernambuco.

Segundo apurou o Valor, a estratégia da empresa será a oferta de aparelhos baratos – com preços na faixa de R$ 150 a R$ 500. Em um primeiro momento, o alvo será o mercado nordestino. Toda a distribuição será feita por meio do varejo convencional, e não das operadoras de telefonia. Uma das redes será a da própria Nagem, que tem 26 lojas no Nordeste, além de um site de comércio eletrônico. Sabrina Sato, apresentadora do programa "Pânico", será a garota-propaganda da marca.

A Micromax já tem três aparelhos homologados pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), procedimento exigido para todos os telefones fixos ou móveis vendidos no Brasil. Outros dois modelos estão na fila. No total, a companhia indiana planeja trabalhar com cinco aparelhos no mercado local.

Todos eles têm a capacidade de funcionar com o chip de duas operadoras ao mesmo tempo. O mais sofisticado desses lançamentos – batizado de Bling – também permitirá o acesso à internet, incluindo acesso a mensagens instantâneas e ao Twitter.

Criada em 2008, a Micromax rapidamente tornou-se a maior empresa de origem indiana no mercado de celulares. A companhia conseguiu destacar-se com a oferta de aparelhos baratos, mas com características desejadas pelos consumidores, como o espaço para dois chips, baterias de longa duração e recursos multimídia.

Em uma pesquisa publicada recentemente na Índia, a Micromax ficou empatada com a Sony Ericsson como a terceira marca de celulares mais popular do país. Diferentemente do que ocorre no Brasil, o mercado indiano conta com uma série de fabricantes locais. Além da Micromax, marcas como Techcom, Lava, Karbonn e Wynncom são bastante populares no país. Segundo estimativas, os indianos compram 13 milhões de celulares todos os meses. Até o ano que vem, o volume pode aumentar para 18 milhões. No mercado brasileiro, a média é de 2 milhões de aparelhos vendidos a cada mês.

Apesar da existência de um grande mercado interno, a Micromax está começando a se expandir fora da Índia. Até agora, porém, a presença em outros países é pequena e está restrita à Ásia. A empresa tem operações em Bangladesh, no Nepal e Sri Lanka. Nesta semana, anunciou sua chegada à República das Maldivas. O Brasil, portanto, é o maior mercado no qual a Micromax vai atuar fora da Índia.

Para financiar seus planos de expansão, a companhia planejava captar o equivalente a US$ 106 milhões em uma oferta inicial de ações na bolsa de Mumbai, mas suspendeu o processo, no fim de julho, por causa da turbulência no mercado internacional. A Micromax tem entre seus acionistas empresas de "private equity" como TA Associates, Sandstone Capital, Sequoia Capital e Madison Capital Management, segundo informações da imprensa indiana.

A Micromax é a primeira empresa de celulares da Índia a trazer seus produtos para o Brasil. O anúncio oficial está marcado para terça-feira. O convite para o lançamento fala apenas na chegada de um "gigante de celulares do mercado asiático", mas não revela o nome da empresa.

A companhia vai se somar a outros fabricantes asiáticos (em sua maioria, chineses) que disputam o segmento mais popular do mercado. Exemplos disso são a TCT e a Longcheer, que importam para o Brasil celulares com as marcas Alcatel e Meu, respectivamente.

Esse movimento de marcas menos conhecidas tem pressionado as importações de celulares, uma tendência recentemente revelada pelo Valor. Entre janeiro e julho, a compra de telefones móveis produzidos em outros países somou US$ 571 milhões, um aumento de 103% na comparação com o mesmo intervalo do ano passado. Outro indicador – o volume de unidades – mostra esse movimento de maneira ainda mais clara: os aparelhos importados passaram de 3,17 milhões para 8,2 milhões de unidades (aumento de 158%), segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC). O dólar barato e a demanda crescente por celulares estão entre as principais razões desse crescimento.

De acordo com a consultoria GfK, as cinco principais marcas de celulares presentes no Brasil perderam 5,6 pontos percentuais de participação de mercado em 12 meses, até março, passando de 98% para 92,4% das vendas totais no país. No mesmo período, o número de marcas de celulares passou de 14 para 20.

Procurado, um representante da Micromax disse que não teria disponibilidade para dar entrevista, ontem, pois acertava os últimos detalhes do lançamento. Executivos da Nagem não retornaram os contatos feitos pelo Valor.

(Talita Moreira e Gustavo Brigatto | Valor)

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