Novartis define fábrica de US$ 500 mi

A farmacêutica suíça Novartis bateu o martelo e vai construir na cidade de Goiana, na Grande Recife (PE), sua fábrica de vacinas. Os investimentos nesse complexo ficarão entre US$ 300 milhões e US$ 500 milhões, com operações previstas para o início de 2014. O principal executivo da companhia no país, Alexander Triebnigg, afirmou que essa unidade deverá ter uma infraestrutura para atender aos mercados interno e externo.

As obras estão previstas para começar ainda este ano. A cidade de Goiana era apontada como uma opção quase certa, mas outros municípios das imediações entraram no páreo.

A fábrica de vacinas é a primeira do grupo na América Latina – o Brasil foi escolhido por ser um mercado estratégico para a empresa, segundo Triebnigg. A unidade, que atenderá a demanda no mercado interno, também servirá como base de exportação da farmacêutica, que não está restrita para América Latina.

"A decisão de investir no Brasil reflete a estabilidade e previsibilidade política e jurídica do país, a existência de forte lei de propriedade intelectual, sólidas políticas de saúde na área de prevenção de doenças com um programa de imunização reconhecido como um dos melhores do mundo, além de uma agência reguladora pré-qualificada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) para suporte a planos de exportação", disse o executivo.

Pernambuco foi o eleito pela Novartis por sua localização geográfica, com acesso a portos, o que facilita as exportações. Incentivos fiscais e o fato de o Estado ser um polo de referência em saúde para a região Nordeste também pesaram na decisão. No país, a farmacêutica já possui acordos de transferência de tecnologia de produção da vacina contra a meningite C para a Fundação Ezequiel Dias (Funed), do governo de Minas Gerais.

Desde 1937 no país, a multinacional possui uma fábrica em Taboão da Serra, na Grande São Paulo, outra em Rezende (RJ) para síntese química (única estrangeira que sintetiza matéria-prima farmacêutica no país) e outra em Cambé, controlada pela Sandoz, braço de medicamentos genéricos do laboratório suíço.

Assim como outras companhias globais, a Novartis está intensificando os estudos clínicos no país. Em 2009, ela investiu R$ 35,9 milhões em 63 estudos, envolvendo mais de 3,9 mil pacientes nas áreas de cardiologia, metabolismo, doenças respiratórias e ósseas, transplantes, hepatite, oftalmologia, oncologia e hematologia. Esses valores deverão subir este ano.

Com cerca de 145 projetos em seu portfólio de produtos em desenvolvimento, o investimento global da companhia em pesquisa e desenvolvimento (P&D) atingiu US$ 7,4 bilhões no ano passado. Com faturamento global de US$ 44,3 bilhões em 2009, a empresa faturou R$ 1,75 bilhão no Brasil no período.

A estratégia de inovação da empresa já traz reflexos para o Brasil. Dois novos medicamentos desenvolvidos pela farmacêutica devem entrar no país. O primeiro deles, o Ilaris, será lançado em setembro, como o primeiro remédio aprovado no Brasil para o tratamento de crianças a partir de 4 anos e adultos com CAPs (síndromes periódicas associadas à criopirina). O produto já foi aprovado pelo FDA (Food and Drug Administration), agência americana, e pela União Europeia. O CAPs é um grupo raro de doenças auto-inflamatórias causadas por uma única mutação genética que leva à superprodução da proteína interleucina que participa do processo inflamatório. A incidência é de 1 caso a cada 1 milhão de pessoas – a estimativa é de que cerca de 200 brasileiros sejam afetados pela CAPs.

Em 2011, a previsão é lançar o Gilenial. O medicamento é voltado para pacientes com esclerose múltipla, por ser o primeiro e único remédio oral para o tratamento da doença e por possuir eficácia 52% superior à terapia padrão na diminuição dos surtos.

Segundo Triebnigg, a estratégia da Novartis é oferecer um completo portfólio, seguindo a filosofia "One stop shop" (portfólio completo). Seguindo essa premissa, a companhia vendeu para a Nestlé dois importantes negócios em 2007 – a divisão Gerber, de alimentos infantis, por US$ 5,5 bilhões, e a Medical Nutrition, por US$ 2,5 bilhões -, para se dedicar à saúde. Um ano antes, a Novartis tinha adquirido a Chiron Corporation, passando a agregar ao seu negócio vacinas e equipamentos de diagnóstico, e agora está em processo de finalização da compra da Alcon, por US$ 28 bilhões, o que deverá proporcionar à Novartis maior acesso ao segmento oftalmológico global.

Há quatro anos no Brasil, Triebnigg criou um plano de investimentos para que a farmacêutica expanda seus negócios no país. Austríaco, o executivo passou por Portugal antes de assumir o comando da Novartis brasileira. Até então, ele só esteve no Brasil a passeio. "Passei o ano na Bahia e vi as comemorações da passagem de ano com os barquinhos na praia chegando com a Iemanjá. Gostamos daquele ritual. Nós temos até hoje em casa uma imagem dela, que agora está na minha adega."
 
(Mônica Scaramuzzo | Valor)

 

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