Nycomed prevê dobrar receita no país

Contagiada pelo boom de investimentos que ronda o mercado farmacêutico nacional nos últimos meses, a Nycomed, com sede na Suíça, planeja dobrar de tamanho no Brasil. O modus operandi da companhia não fugirá à regra da estratégia de grandes multinacionais que fazem suas apostas no país: será calcado em aquisições, novos negócios e compra de medicamentos de marca. A farmacêutica prevê investir cerca de US$ 300 milhões para garantir sua expansão no país entre 2014 e 2015.

"Já analisamos alguns ativos este ano, mas o mercado está inflacionado. Enquanto não fechamos aquisição, vamos negociar a compra de produtos de marca e reforçar as apostas na divisão de área respiratória", diz Luiz Eduardo Violland, principal executivo do grupo no Brasil.

A última aquisição relevante de medicamento de marca do grupo foi em 2003, com a compra do Neosaldina – o quarto medicamento mais vendido no Brasil -, que pertencia ao Abbott, por US$ 33 milhões. Além desse produto, um dos carros-chefes da companhia, a empresa comercializa o Dramin, Nebacetin e Eparema, entre outros.

Neste ano, a empresa começou a focar seus negócios também na área respiratória no Brasil. No fim de 2009, a companhia lançou no país o Omnaris (combate a renite). Para 2011, aguarda aprovação da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para comercializar o Daxas, lançado na Alemanha este ano, que trata a chamada doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), diz Rodrigo Reis, gerente de marketing da linha respiratória. O mercado de asma e DPOC movimenta globalmente US$ 18 bilhões por ano.

Atualmente a divisão de OTC do grupo (Over the Counter, ou vendas atrás do balcão) representa 40% do faturamento da companhia. A área de medicamentos sob prescrição médica outros 50% e a área hospitalar, 10%. Segundo Giles Platford, vice-presidente de operações comerciais do grupo, a área hospitalar deverá dobrar de participação nos próximos cinco anos. Platford, que está na subsidiária brasileira desde o ano passado, ajudou a coordenar a criação da área hospitalar no país e está pensando as estratégias para a divisão de área respiratória. No Brasil, a linha respiratória representa 8% do faturamento do grupo e deve chegar a 15% em 2015, segundo Platford.

A farmacêutica deverá crescer organicamente com atual portfólio e por meio de pesquisa e desenvolvimento de novos produtos já em pipeline (em desenvolvimento), segundo Platford.

Com faturamento líquido de R$ 447 milhões em 2009 (a receita global da companhia ficou em torno de € 3,2 bilhões), a farmacêutica deverá crescer 15% este ano, ultrapassando a marca de meio bilhão de reais, e deverá manter essa taxa nos próximos anos, diz Violland. "Queremos dobrar de tamanho no Brasil, país que a matriz considera estratégico para seus negócios, assim como Rússia, China e Índia (os Bric)."

Com uma unidade produtora no Brasil, em operação desde 1992 em Jaguariúna (SP), a Nycomed conta com 19 fábricas no mundo.

Na contramão das grandes multinacionais, a Nycomed não está interessada, ainda, no mercado de medicamentos genéricos. "Não é o nosso foco", afirma Violland. Mas a empresa não descarta esse mercado totalmente.

(Mônica Scaramuzzo | Valor)
 

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