Pátria capta fundo de R$ 1 bi para imóveis

O Pátria Investimentos acaba de concluir a captação de um fundo de R$ 1 bilhão para aplicar em ativos imobiliários. No radar da gestora, estão empreendimentos que possam ser alugados por grandes empresas, como escritórios, centros de distribuição e fábricas.

Com o novo fundo, o Pátria quer colocar a área imobiliária como um de seus principais negócios, seguindo o modelo de seu novo sócio, a americana Blackstone, que em setembro de 2010 comprou 40% da gestora brasileira. Dentro os US$ 124 bilhões que a Blackstone tem sob gestão, US$ 26,5 bilhões estão em fundos imobiliários, sendo que os hotéis Hilton, por exemplo, estão em seu portfólio.

"Esse fundo cristaliza nossa atuação em imóveis, que veio para ficar", diz Olímpio Matarazzo Neto, sócio do Pátria, que administra R$ 7,1 bilhões. Até agora, a experiência do Pátria com imóveis estava limitada a um fundo de R$ 150 milhões. A fase agora é de desinvestimento, tendo vendido até agora três de seus dez empreendimentos.

"O objetivo do Pátria é oferecer soluções imobiliárias para as empresas, principalmente para aquelas que queiram se desmobilizar para levantar recursos de longo prazo", diz Matarazzo.

As companhias podem vender seus imóveis para o fundo e passar a pagar um aluguel fechado em contratos de longo prazo. Além disso, os recursos do fundo podem ser usados para construir e posteriormente locar o empreendimento para a empresa, sem que ela desembolse recursos de seu caixa para o investimento inicial.

Algumas companhias têm partido para o uso de seus ativos imobiliários como fonte de recursos para investimentos. No ano passado, a operadora Oi, por exemplo, adiantou R$ 1,6 bilhões em recursos por meio de uma operação envolvendo seus imóveis.

"Os bancos dão recursos para as empresas por prazos curtos, de três a quatro anos. Podemos financiá-las por até dez anos, em torno de 12% ao ano com o fundo", afirma Matarazzo.

Entre as operações que o fundo pode fazer estão a compra de prédios de escritórios e a construção com posterior locação de indústrias, centros de distribuição. São as chamadas transações de "build to suit" e "sale and lease back".

Mesmo antes de concluir a captação do fundo, que levou mais de dois anos, o Pátria já começou a investir os recursos. Cerca de R$ 280 milhões estão aplicados em quatro projetos: o edifício Lagoa Corporate, no Rio, a construção de uma unidade da faculdade Ibmec, também no Rio, e dois centros de distribuição da Gerdau, um no Rio e outro em São Paulo.

O fundo ainda tem três anos para realizar as aplicações e outros quatro para sair dos projetos. Na distribuição geográfica, cerca de 50% do portfólio do fundo deve ficar alocado entre São Paulo e Rio de Janeiro.

O apetite do Pátria está voltado para transações em torno de R$ 150 milhões. Mas o poder de fogo do fundo deve ser dobrado, segundo Matarazzo, com o uso de parcelas de dívida.

A captação do fundo envolveu duas etapas. Em 2008, em meio à crise, o Pátria optou por concentrar os esforços entre investidores brasileiros, com a ajuda dos bancos Itaú e Citi. Já no ano passado, o dinheiro passou a ser buscado no exterior. No fim, estrangeiros e nacionais são responsáveis cada um por 50% do fundo.

De acordo com Matarazzo, o Pátria tem planos de levantar novos fundos imobiliários, mas isso só poderá ser feito depois que 75% dos recursos do atual veículos já estiverem aplicados. Entre os planos futuros da gestora, estão os investimentos em shopping center, hotéis e até florestas.

Neste momento, segundo o Valor apurou, a gestora está em meio à captação de um fundo bilionário para aplicar em imóveis e parte desse dinheiro pode vir para o Brasil, já que não tem limitações geográficas. Isso abriria espaço para o Pátria ampliar suas aplicações para além do R$ 1 bilhão do atual fundo. A informação, porém, não é confirmada pelo Pátria.

Não são apenas os fundos de participação em empresas ("private equity") que estão atingindo cifras bilionárias no Brasil. Além do Pátria, em outubro de 2010, a Prosperitas concluiu a captação de um fundo de R$ 1 bilhão para investir no setor imobiliário.

(Carolina Mandl e Vanessa Adachi l Valor)

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