Pfizer reforça aposta na América Latina

A Pfizer busca ampliar sua presença na América Latina, como forma de compensar as taxas de crescimento menores em mercados mais maduros e também para ampliar espaço no segmento de medicamentos genéricos, cuja expansão tem sido maior em países emergentes.

Em 2010, o Brasil tornou-se alvo de investimentos da companhia – o mais recente, de R$ 400 milhões, com a compra de 40% do laboratório Teuto, de Goiás, com a possibilidade de adquirir o controle a partir de 2014. Além da aquisição, o laboratório americano fez aportes de R$ 78 milhões no país, recursos que foram aplicados nas fábricas em operação e pesquisas. Para 2011, a expectativa da companhia é investir aproximadamente R$ 85 milhões para manter suas atuais estruturas no pais, o que inclui a intensificação de pesquisas clínicas e manutenção das unidades.

Os países latinos-americanos tornaram-se alvo de grandes multinacionais e com a Pfizer não foi diferente. A estratégia da companhia é promover aquisições, caso o crescimento orgânico não seja suficiente. A farmacêutica não descarta fazer compras, a exemplo da Teuto, em outros países latinos-americanos ou mesmo parcerias para produção de medicamentos, caso julgue a estratégia interessante, afirmou Victor Mezei, principal executivo da empresa no Brasil, em recente entrevista ao Valor.

Com importantes medicamentos de seu portfólio, a múlti tem enfrentado um grande desafio, uma vez que a patente de alguns deles expirou ou está em vias de vencer. A companhia tem criado em alguns países, entre eles os emergentes, divisões para negociar produtos já maduros – o que permite trabalhar marcas tradicionais, mas ainda com boa aceitação do consumidor. No Brasil, essa área foi criada no início deste segundo semestre.

Atualmente o Lipitor (utilizado no combate ao colesterol elevado) é o principal produto campeão de venda da companhia ("blockbuster"), com receita global de US$ 13 bilhões anuais. No Brasil, esse medicamento perdeu a patente no segundo semestre e empresas como a nacional EMS já começaram a produzir a versão genérica. O Viagra, com receita mundial de cerca de US$ 1,5 bilhão, também tem as versões genérica e similar negociadas no país pela EMS. A compra da Teuto pela Pfizer é uma estratégia da companhia para produzir genéricos de seus próprios medicamentos e de seus concorrentes.

Com faturamento de R$ 3,3 bilhões no Brasil em 2009, dos quais R$ 2,5 bilhões são da divisão farmacêutica e R$ 800 milhões da área de saúde animal, a companhia prevê crescer 10% este ano, sobretudo no segmento fármaco, segundo Mezei.

Nos últimos anos, as aquisições foram a principal estratégia de expansão da companhia, o que permitiu combinar portfólio para se manter forte no mercado. Com a compra da Wyeth por US$ 68 bilhões no ano passado, a Pfizer passou a comercializar o Enbrel (para artrite rematoide e psoríase), segundo principal medicamento em vendas do grupo, atrás do Lipitor e à frente do Viagra, segundo Adam Woodrow, vice-presidente da área de negócios de especialidades (inflamação). O Enbrel tem faturamento global de cerca de US$ 6 bilhões. Segundo Woodrow, sua patente deverá vencer em 2013 nos EUA e 2015, na Europa. A empresa trabalha contra o relógio para colocar no mercado novos medicamentos nessa área nos próximos anos.

Se considerar os três principais medicamentos globais em receita da Pfizer – Lipitor, Enbrel e Viagra, que juntos somam vendas anuais de cerca de US$ 20 bilhões – a perda da patente desses produtos representa queda expressiva de vendas.

A pressão da multinacional por novos "blockbusters" cresce e as aquisições que fazem sentido, tanto para aumento de portfólio como para avançar em genéricos, tornaram-se um caminho sem volta para as grandes multinacionais que não querem abrir mão de sua posição no ranking global.

(Mônica Scaramuzzo | Valor)

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