Publicis e a WPP querem a Talent

SÃO PAULO – Uma das mais tradicionais agências de propaganda brasileira, a Talent tem mantido conversas com o grupo Publicis para unir as suas operações com a companhia francesa, numa negociação que pode ser anunciada entre o final deste mês e o início de setembro. Outra empresa interessada no grupo, a britânica WPP ainda tem interesse na Talent, mas a proposta da companhia está em banho-maria.

O alto valor inicialmente proposto pela Publicis para a compra do controle da empresa de Julio Ribeiro, o fundador da Talent e um dos publicitários mais respeitados do país, chegou a causar espanto no comando da WPP. Há cerca de um mês, as negociações para a aquisição giravam em torno de R$ 325 milhões, apurou o Valor, e o montante a ser definido ainda poderia subir, a depender dos resultados futuros da agência nacional. A WPP teria chegado a uma proposta máxima de R$ 130 milhões pela Talent, cálculo feito com base na receita bruta anual da Talent, que gira em torno de R$ 90 milhões a R$ 100 milhões ao ano.

Julio Ribeiro, hoje com 79 anos, não pensa em se afastar da companhia se uma eventual negociação for finalizada. A ideia é ele permanecer no comando da operação por até cinco anos, segundo as conversas entre as partes. A Talent ainda não bateu o martelo e existe a possibilidade de, novamente, o acordo não avançar. "O Julio não precisa vender nada. É fato que ele já aceita avaliar as propostas porque tem tido uma maior preocupação com o futuro da empresa, num mercado cada vez mais concentrado. Mas não há pressa", afirma um executivo do setor. Os vice-presidentes da Talent José Eustachio e Antonio Líno são sócios de Júlio Ribeiro, o majoritário.

As negociações devem envolver o principal cliente da companhia hoje, o Banco Santander – que precisa estar "confortável" com o negócio, de acordo com uma fonte ligada à companhia.

Oficialmente, a Talet informa que não há nada a informar no momento e, caso ocorra mudanças no grupo, irá comunicar de forma oportuna. Três meses atrás, em entrevista ao semanário "Meio e Mensagem", Ribeiro deixou claro que pode avaliar parcerias. "Com o tempo, uma empresa 100% brasileira terá de mudar. Nossos clientes, na maioria, são multinacionais. No futuro, todas as agências terão de ser, de alguma forma, multinacionais", e continua: "Continuamente, temos propostas para vender a agência. Até hoje elas não nos interessaram, o que não quer dizer que não faremos isso no futuro".

Com clientes de porte como Sony Ericsson, NET e Tigre, a Talent intermediou investimentos em mídia no valor de R$ 311 milhões em 2009, 7% acima do valor do ano anterior (o mercado cresceu 4%), mas sua posição no ranking caiu em 2009. Passou da 14ª colocação para 16ª. Cobiçada há anos pelos maiores conglomerados de comunicação, a Talent cresceu dentro de um princípio, repete ela, de ter até dez contas nas mãos e nenhuma ligada ao setor de cigarros, bebidas destiladas ou governos. O total de clientes já passa de uma dezena, mas em relação aos princípios, a empresa nunca cedeu, motivo de orgulho na agência brasileira.

A venda do negócio aos franceses da Publicis daria fôlego maior aos negócios da Talent em tempos de alinhamento de contas. E faria da Publicis um dos maiores grupos de publicidade do Brasil. É algo que a companhia procura há tempos. A Publicis planeja ocupar a segunda colocação geral do setor no Brasil, abaixo da WPP, dona da Y & R, Ogilvy e JWT. Hoje, ela é a 22ª colocada. A agência francesa e a WPP não se manifestaram sobre o assunto.

(Adriana Mattos | Valor)

 

 

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