Queiroz Galvão Óleo e Gás levanta US$ 700 mi

A empresa Queiroz Galvão Óleo e Gás, que presta serviço de perfuração de poços de petróleo, fechou a contratação de uma linha de crédito de US$ 700 milhões, estruturada sob a forma de "project bonds" (bônus para projeto). O papel, com prazo de sete anos, foi vendido com rendimento ("yield") de 5,45% ao ano e cupom de 5,25%. O banco Santander, assessor da operação, estruturou e distribuiu os papéis junto com HSBC e Citibank.

A dívida emitida pela Queiroz Galvão Óleo e Gás será paga com o fluxo de caixa produzido pelas sondas Atlantic Star e Alaskan Star. As sondas são usadas pela Petrobras há 15 anos e todos os contratos dados como garantia aos investidores, com prazo de sete anos, têm como lastro justamente operações firmadas com a estatal. Os pagamentos estão atrelados ainda a uma conta reserva. Os recursos captados pela Queiroz Galvão serão utilizados para refinanciamento de dívida.

A emissão é a segunda oferta de project bonds puro e de grande porte feita por uma empresa brasileira. A Odebrecht Óleo e Gás estreou nesse mercado ao levantar, no fim de 2010, US$ 1,5 bilhão. "Como não há recurso contra o acionista, pois o lastro do crédito é o projeto, não há também impacto no balanço da empresa", explica Eduardo Müller Borges, diretor de mercado de crédito do Santander.

Segundo Marcelo Sampaio Doria, executivo da área de corporate & investment banking do Santander, a demanda superou em duas vezes a oferta de US$ 700 milhões. Mas como o projeto, que levou três meses para ser concluído, foi desenhado de forma a "casar" perfeitamente prazo e volume financeiro dos contratos firmados com a Petrobras, não foi possível revisar a estrutura para atender à maior procura.

O rendimento de 5,45% foi ligeiramente inferior aos 5,5% sugeridos após dez dias de visitas a investidores. "As expectativas foram superadas mesmo com o mercado adverso", diz Doria, referindo-se à crise na zona do euro e às incertezas em relação ao teto da dívida dos EUA. Investidores americanos ficaram com 59% do total dos papéis; europeus, com 34%; latino americanos, 5%; e asiáticos, 2%. Quanto ao perfil, 61% são gestões de recursos; 14%, private banks; 11%, hedge funds, 7%, seguradoras; 5%, fundos de pensão; e 2%, bancos.

(Alex Lima l Valor)
 

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