Remuneração atrativa nas debêntures

O número de emissões de empresas no mercado acionário até junho deste ano já superou o total de 2010. Foram 28 ofertas públicas, sendo 76,6% iniciais, contra 24 em 2010. No entanto, isso não significa que as companhias têm optado mais pela bolsa de valores do que pelo mercado de renda fixa para captar recursos. A emissão de debêntures continua forte.

Dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) mostram que até junho deste ano, as captações com debêntures somaram R$ 21,4 bilhões. De janeiro a junho do ano passado, o total havia sido de R$ 20,5 bilhões.

Ainda estão em análise na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) três emissões de dívida, que somam R$ 710,7 milhões.

Para o gestor de renda fixa da UM Investimentos, André Mallet, o cenário externo e o momento de inflação alta levam o desempenho do mercado de ações a uma retração e, assim, os investidores tendem a migrar para a renda fixa, o que torna um bom momento para as companhias captarem via debêntures.

"Para a empresa, seria mais fácil captar com debêntures do que com ações porque se emitirem ações correm o risco de não conseguirem levantar tudo o que precisam", considera. Segundo Mallet, pode ser que agora as empresas paguem um pouco mais na emissão de dívida tendo em vista a alta na taxa básica de juro e na inflação, em que se baseiam a remuneração de boa parte das debêntures. No entanto, a companhia corre menos risco de simplesmente não captar – só neste ano, 12 empresas desistiram ou adiaram oferta de ações por não encontrar demanda suficiente.

Se as empresas estão pagando mais para captar, isso quer dizer que o investidor está ganhando mais. Segundo o educador financeiro Mauro Calil, via de regra esses títulos pagam bem, mas é preciso analisar cada caso.

"Não se pode generalizar, pois existem debêntures que pagam menos que Certificado de Depósito Bancário (CDB)." O melhor desempenho no ano, conforme os índices de debêntures da Anbima, é dos títulos atrelados ao Índice de Preços ao Consumidor Amplo – a variação é positiva em 8,48% no ano, até 25 de julho. No período, o Ibovespa perde 13,47%. Calil, no entanto, escolheria debêntures atreladas à variação do Depósito Interfinanceiro (DI) que em algum momento deve superar a inflação.

(Flávia Furlan – Brasil Econômico)

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