Santa Catarina disputa nova fábrica da GM

A General Motors estuda construir uma segunda fábrica em Santa Catarina. O investimento, de aproximadamente R$ 300 milhões, iria atender à fabricação de peças e caixas para o sistema de transmissão das unidades da América Latina. O projeto está em fase de análise e sendo discutido junto ao governo catarinense para garantir incentivos. O diretor de relações institucionais da GM, Luiz Moan, diz que nada ainda foi definido. "Estamos em fase de avaliação absolutamente interna", disse.

Uma fonte ligada ao governo e que acompanha a negociação diz que o projeto precisa ser aprovado pela matriz, mas que a decisão deve sair este ano. Santa Catarina levaria vantagem pela questão portuária – há cinco portos em operação – e pela disponibilidade de mão de obra no setor metal-mecânico, condições que levaram a GM a investir R$ 350 milhões em uma fábrica de motores em Joinville.

A obra da fábrica de motores está na etapa civil e prevista para entrar em operação em 2012. A partir de novembro, deverá ser instalada a primeira máquina industrial, segundo cronograma da montadora. O projeto prevê capacidade inicial de produção de 120 mil motores e 200 mil cabeçotes de alumínio por ano que serão destinados às fábricas de Gravataí (RS) e Rosário (Argentina).

Segundo fontes do governo, a intenção da montadora é instalar a segunda unidade na região Norte do Estado, próxima a Joinville, mas não necessariamente na mesma cidade. O porto de São Francisco do Sul, a cerca de 50 km da cidade, é um canal possível para a exportação das peças e importação de matéria-prima.

O governo de Santa Catarina negocia há pelo menos dez anos com a GM. Em 2008, a empresa decidiu investir na primeira unidade de motores, que estava prevista, inicialmente, para ser entregue em 2010.

Os investimentos da GM se justificam pela continuidade do aquecimento do mercado. Em maio, foram licenciados em todo o país 318,6 mil veículos, incluindo os pesados. Isso representou aumento de 26,9% na comparação com o mesmo mês do ano passado.

Mas é preciso destacar que em maio de 2010 o mercado encolheu em razão do fim do incentivo de IPI menor. Por isso, a média diária de vendas também cresceu em torno de 21% no mês passado na comparação com maio de 2010.

Isso significa que, em média, 14,4 mil veículos novos passaram diariamente pelos órgãos de trânsito no mês passado para licenciamento. O resultado de maio também ficou acima de abril, quando foram vendidos 289,2 mil veículos. Mas, em razão dos feriados de Tiradentes e sexta-feira Santa, a média diária de vendas em abril foi maior: 15,2 mil unidades. Essa queda da média diária de licenciamentos pode ser um sinal de que as medidas de contenção no consumo começam a ser sentidas no setor automotivo. (Com Marli Olmos)

(Júlia Pitthan | Valor)

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