São Carlos acerta locação de 1º empreendimento no novo Porto do Rio

RIO – A São Carlos Empreendimentos e Participações deve assinar ainda essa semana contrato para locação do seu primeiro empreendimento na área do Porto Maravilha, projeto de revitalização que a Prefeitura do Rio de Janeiro desenvolve para a zona portuária da capital fluminense.

O presidente da companhia, Rolando Mifano, não revelou o nome, mas afirmou que apenas uma empresa deverá alugar o imóvel, que tem seis andares, 4.440 metros quadrados de área construída e será entregue totalmente revitalizado em novembro.
 
"Não nos deixaram terminar. Estão alugando o prédio na planta", disse Mifano, que participou da Rio Investors Day, no Rio de Janeiro. O imóvel, na Avenida Venezuela, via paralela ao Porto do Rio e que conta, entre outros, com a sede do Instituto Estadual do Ambiente (Inea) e o Tribunal Regional Federal do Rio de Janeiro (TRF-RJ), é o primeiro comprado e reformado pela São Carlos na região.

A companhia – nascida no Rio de Janeiro como uma controlada da Lojas Americanas responsável pelos imóveis onde funcionavam os estabelecimentos comerciais da controladora – negocia três outros imóveis no porto e Mifano garante que, caso todas as negociações rendam frutos, a São Carlos tocará todos os projetos.
 
O executivo se mostrou animado com as perspectivas do mercado carioca, que representa cerca de metade do valor total de R$ 2,2 bilhões que os imóveis controlados pela São Carlos tinham em setembro do ano passado.

Segundo ele, a grande dificuldade para adquirir novos projetos é encontrar imóveis aptos para a revitalização – chamada de retrofit no jargão do mercado -, já que 75% dos estabelecimentos na área pertencem ao poder público, com mais dificuldades para aquisições.
 
Além da área do porto, a companhia também mostra interesse na região da Cidade Nova, próxima ao Centro, que já conta com a prefeitura e onde acontece a construção de diversos centros comerciais e o estabelecimento de empresas como a SulAmérica e unidades como a Universidade Petrobras, responsável por treinar a mão de obra recém contratada pela estatal.

Nessa área, porém, o interesse da São Carlos passa longe do retrofit e o objetivo é a aquisição de terrenos para a construção de edifícios novos.
Mifano lembra que a empresa construiu recentemente um prédio "do zero" em São Paulo, com 60 mil metros quadrados de área construída e certificação Leed Platinum, a mais alta em relação a prédios sustentáveis no mundo. Atualmente, não há no portfólio da companhia nenhum prédio em construção, apenas revitalizações.
 
Para o prédio revitalizado na área do Porto Maravilha, o objetivo também é obter uma certificação do tipo Leed e técnicos responsáveis pela selo de qualidade acompanham a obra para atestar padrões como o uso apenas de madeira certificada e a utilização de materiais e equipamentos que contribuam para o menor e mais eficiente consumo de energia possível.
 
"Queríamos refazer toda a fachada, mas a prefeitura pediu para deixar a original, apesar dela não estar preservada, nem se tombada", disse Mifano, lembrando que a companhia é dona de prédios históricos no Rio e revitalizados por ela, como o da antiga Mesbla no centro da cidade, atualmente alugado para a Contax. "O centro do Rio não é degradado e tem muitos prédios antigos, o que é ideal para o nosso negócio", acrescentou.
 
Depois de ter feito a cisão da Lojas Americanas em junho de 1999, a São Carlos mudou a sede do Rio de Janeiro para São Paulo. Em 2006 entrou no Novo Mercado da Bovespa, com mais de 50% de suas ações pulverizadas no mercado. Antes controladora, a Lojas Americanas agora utiliza apenas oito lojas de propriedade da São Carlos, que não depende mais da antiga dona para auferir resultados.
 
"Somos um dos maiores investidores imobiliários no Rio de Janeiro na área comercial", afirmou Mifano.
 
(Rafael Rosas | Valor)

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