São Martinho planeja compra de concorrentes

Depois de parceria com a Petrobras, meta para 2020 passa por aquisições para garantir produção de 30 milhões de toneladas.

A meta é antiga, mas o caminho que o grupo São Martinho está percorrendo para chegar a 2020 com uma capacidade de moagem de 30 milhões de toneladas de cana-de-açúcar está sofrendo sensíveis mudanças.

A mais recente delas é a decisão de preencher parte da meta de 2020 com aquisições.

Direta e indiretamente, essa decisão está ligada à formação de uma sociedade com a Petrobras Biocombustível na expansão do grupo em Goiás, fechada no ano passado.

Pelo acordo, a São Martinho ficou com 51% de uma nova empresa, a Nova Fronteira Bioenergia, que herdou uma usina pronta e outra em projeto do grupo sucroalcooleiro.

Em troca de aportes de capital que vão viabilizar a construção da segunda usina goiana, a estatal ficou com os 49% restantes, o que parece afastar a São Martinho de sua meta para 2020. Afinal, ela só poderá contar com 51% da produção das duas usinas goianas.

A conta é simples e está na ponta da língua do presidente do grupo, Fábio Venturelli. Em 2020, a Nova Fronteira deve estar moendo 20 milhões de toneladas de cana – dos quais 10 milhões cabem à São Martinho.

As duas usinas do grupo no interior paulista, a São Martinho e a Iracema, fazem 11,5 milhões de toneladas por safra, e não têm condições de ampliar a moagem significativamente. Faltaria algo como 8 milhões de toneladas que Venturelli precisa preencher nos próximos nove anos.

Mas se por um lado a criação da Nova Fronteira significa que a São Martinho terá que buscar mais fontes de crescimento, por outro o próprio negócio com a Petrobras abriu novas portas. Absorvendo as dívidas da São Martinho relativas à construção da usina Boa Vista (GO), a Nova Fronteira reduziu o endividamento líquido do grupo.

Isso quer dizer que a empresa tem condições de tomar mais crédito para crescer, mesmo fora da parceria com a Petrobras. A dívida líquida do grupo hoje é de apenas uma vez o seu potencial de geração de caixa operacional. Esse índice de alavancagem financeira é cerca da metade do apresentado hoje pela Cosan, maior indústria de cana do país e do mundo, e cerca de um quarto da média do mercado.

Com capacidade de endividamento e necessidade de crescer, Venturelli pretende atingir a meta de produção de 2020 por meio de uma política nova na casa: as aquisições. "A São Martinho vai ter que buscar o crescimento em ativos similares, em São Paulo", diz Venturelli.

A Nova Fronteira fica com a missão de avançar na produção de etanol, em novas fronteiras e na região de influência do etanolduto que começou a ser construído no ano passado e ligará o Centro-Oeste ao porto. "Já na São Martinho queremos fazer mais do mesmo, buscar um ativo com logística competitiva e posição em açúcar e álcool."

As oportunidades sempre existem e estão sendo avaliadas, segundo Venturelli. Mas as análises são duras para os potenciais vendedores. Um dos mais tradicionais grupos familiares da cana-de-açúcar, a São Martinho foi um dos poucos de seu porte a não realizar aquisições nos últimos seis anos. "Para comprar um excelente ativo, temos que estar prestando atenção", diz.

Isso pode significar que essa primeira aquisição pode não estar tão próxima, mas é impossível dizer. O fato é que a própria meta de 30 milhões de toneladas para 2020 nem é tão ousada se comparada à Cosan, que tem capacidade para processar 63 milhões de toneladas.

Menos ainda quando se toma como exemplo a ETH Bioenergia, do grupo Odebrecht, que em poucos anos está tirando do papel uma empresa com capacidade para 40 milhões de toneladas.

(Luiz Silveira l Brasil Econômico)

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