Sem novo sócio, Casa & Video decide subir o morro

Fabio Carvalho, presidente da Casa & Video, uma das maiores varejistas do Rio, negociou com "Eike Batista" nas últimas semanas. Nada a ver com o megaempresário brasileiro, citado pela revista "Forbes" como a oitava pessoa mais rica do mundo. O "Eike Batista" com quem Carvalho fechou contrato é o codinome de José dos Santos, dono de vários imóveis na comunidade Santa Marta, no Morro Dona Marta, zona sul carioca. A favela, primeira a receber uma Unidade de Polícia Pacificadora (UPP), será a primeira também a sediar o novo modelo de loja compacta da Casa & Video, instalada em um dos imóveis do "Eike Batista".

Enquanto aguarda a decisão do banco BTG Pactual, que há pelo menos seis meses avalia a possibilidade de se tornar sócio do negócio, a Casa & Video dá início a uma nova fase de expansão, com lojas menores em comunidades pacificadas. A empresa está investindo este ano R$ 8 milhões em cinco novas lojas, duas delas em favelas onde foram instaladas UPPs. A primeira será na Santa Marta, a ser inaugurada em setembro. A segunda ainda está sendo negociada, mas pode ser nas comunidades do Alemão, Mangueira, Salgueiro ou Cidade de Deus.

"Existe uma grande oportunidade nas UPPs, espaços conquistados militarmente pelo governo do Rio, que ainda não foram ocupados pela iniciativa privada", diz Fabio Carvalho. A proposta das lojas "mini" é um espaço entre 20 e 200 metros quadrados (os pontos convencionais têm 800 metros), abastecido pela "loja mãe", convencional, mais próxima. O estoque será mínimo: celulares, utilidades domésticas e itens sazonais como ovos de Páscoa ou brinquedos. "O ponto terá um mostruário reduzido de eletroportáteis e todo o nosso mix estará em um terminal virtual, conectado ao nosso sistema, e também em um catálogo em papel na loja", diz.

O modelo é semelhante ao das lojas virtuais do Magazine Luiza. Na loja "mini" da Casa & Video, vão trabalhar entre quatro e seis vendedores – contra 55 na "loja mãe", em Botafogo. "A ideia é usar a própria comunidade para fazer as entregas de produtos", diz Carvalho. A rede tem 68 lojas. Uma unidade foi inaugurada este ano, no Shopping Via Brasil. Outras duas serão abertas no Jardim Guadalupe Shopping e em Duque de Caxias.

A empresa, que faturou R$ 1,3 bilhão em 2010, está em recuperação judicial e acaba de quitar um empréstimo de R$ 40 milhões com o BTG, obtido há um ano, via emissão de debêntures. Carvalho já havia pago R$ 10 milhões e levantou os R$ 30 milhões restantes com a venda de recebíveis de operações com cartão de crédito, ou seja, do caixa. Com isso, ele calcula ter economizado cerca de R$ 5 milhões em juros. "O pagamento antecipado me abriu linhas de crédito, usadas como capital de giro". Em sua opinião, a operação foi vantajosa: "O custo médio de capital da companhia hoje, 18 meses após o início da recuperação judicial, é substancialmente inferior ao custo de capital na época da emissão das debêntures".

A decisão sobre a aquisição ou não do controle da Casa & Video está com o "merchant banking" do BTG, área que esteve envolvida no desenho da operação que criaria o Novo Pão de Açúcar, fusão entre o Grupo Pão de Açúcar e o Carrefour Brasil, que acabou frustrada.

(Daniele Madureira | Valor)
 

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