Suzano traça plataforma de mais de R$ 11 bi

Com mais de R$ 11 bilhões em investimentos e aquisições anunciados apenas em 2010, a Suzano Papel e Celulosedeu mostra significativa de seu apetite por crescimento e do rumo escolhido para os negócios do grupo controlado pela família Feffer, após a venda da operação petroquímica, em 2007, para a Petrobras. Com o anúncio de compra da participação da Fibriano Conpacel, consórcio que reuniu os ativos da antiga Ripasa, por R$ 1,45 bilhão – com a distribuidora KSR, o negócio sobe a R$ 1,5 bilhão -, consolidou-se na posição de maior fabricante integrada de papel e celulose da América Latina e fez importante avanço na direção do que será a companhia em 2024, ano em que comemora seu centenário.

Anos antes do aniversário, contudo, a Suzano já terá mais que dobrado o tamanho de suas operações, entrado no mercado de energia renovável e firmado a marca, internacionalmente, no segmento de biotecnologia. Tudo isso na esteira de negócios que vieram à baila neste ano e, segundo o presidente da empresa, Antonio Maciel Neto, sem ultrapassar o limite de endividamento de 3,5 vezes medido pela relação entre dívida líquida e Lajida (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização).

Conforme Maciel, as operações anunciadas neste ano colocaram "parte importante" do plano Suzano 2024 em andamento: compra da britânica FuturaGene, de biotecnologia, por US$ 82 milhões; confirmação de aporte de US$ 4,6 bilhões em duas fábricas de celulose que serão erguidas no Maranhão e Piauí (sem contar os investimentos em florestas); lançamento da Suzano Energia Renovável, com aplicação de US$ 1,3 bilhão até 2019; e, no encerramento do ano, a esperada aquisição do Conpacel, no qual era sócia da Fibria.

Haverá mais pela frente, afirma Maciel, porém a estrutura do negócio, agora de base florestal e não apenas voltado à produção de celulose e papel, está dada. O plano, traçado ao longo de dois anos, foi desenvolvido pela companhia junto a várias consultorias, e levou a marca de um dos maiores projetos já desenvolvidos pela McKinsey & Company . "No que se refere a papel, a aquisição da fatia no Conpacel estava prevista e, com isso, uma primeira etapa do plano já foi encerrada", conta o executivo.

Segundo Maciel, a Suzano vai usar o caixa para pagar o negócio, cuja liquidação está prevista para o fim de janeiro, e não terá de recorrer, ao menos no curto prazo, a operações no mercado financeiro para evitar pressão sobre o nível de alavancagem. "O pico da alavancagem deve ocorrer em 2013, com os investimentos no Maranhão. Mas, naquele ano, já teremos um bom Lajida do Conpacel, o que deve compensar", afirma. Naquele ano, a relação entre dívida líquida e Lajida poderá subir a 3,7 ou 3,8 vezes em algum momento, segundo o executivo, e recuar para abaixo da meta rapidamente. "Agora, se as condições econômicas não forem boas e tivermos, eventualmente de ir a mercado, vamos fazer isso e corrigir a situação", admitiu, em teleconferência com analistas para comentar o negócio.

Embora exista preocupação entre profissionais do mercado financeiro quanto aos níveis de endividamento da Suzano, a operação envolvendo o Conpacel foi bem recebida pelos analistas, que não chegaram a consenso sobre os múltiplos da operação uma vez que os dados financeiros da parcela da Fibria no Conpacel não são conhecidos. A Suzano informou que espera Lajida de R$ 240 milhões em 2010 referente apenas à sua metade no consórcio. De um lado, apontaram os profissionais, a Suzano, cuja proposta foi calculada com base apenas nos números relativos à sua parcela no consórcio, absorverá sinergias de R$ 300 milhões, sem contar outros ganhos decorrentes da otimização de sua operação de papel. De outro, a vendedora Fibria, que vem de um longo período de rígida gestão de dívida por conta das perdas bilionárias com derivativos da antiga Aracruz e dos custos para fusão dessa empresa com a Votorantim Celulose e Papel (VCP), fica em posição ainda mais tranquila para retomar seu projeto de crescimento.

Na área da ex-sócia, de celulose branqueada de eucalipto, a Suzano também tem planos ousados. Em 2013 e em 2014 pretende inaugurar uma fábrica com capacidade para até 1,5 milhão de toneladas anuais no Maranhão e outra no Piauí, respectivamente. Os prazos estão mantidos, conforme Maciel. O plano até 2024 prevê uma terceira nova fábrica e a expansão da unidade de Mucuri (BA), porém essas são pautas para o futuro. Para o projeto que será erguido em Imperatriz (MA), a Suzano já contratou empréstimo de R$ 2,7 bilhões junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e aprovou a emissão de R$ 1,2 bilhão em debêntures mandatoriamente conversíveis, um instrumento ainda não utilizado no país para o financiamento dos chamados projetos "greenfield".

Os controladores da Suzano, que detém 52% do capital total da companhia, já comprometeram a subscrever parcela proporcional dos títulos e o próprio banco, via BNDESPar, deu garantia firme de subscrição de até R$ 564 milhões. O banco de fomento tem, hoje, cerca de 4% de participação na Suzano e pode elevar essa fatia para perto de 10% caso fique com totalidade das debêntures e minoritários não acompanhem os demais acionistas na operação. Conforme Maciel, a definição do financiamento com o BNDES foi fundamental para que a companhia se liberasse para apresentar a proposta pelo Conpacel. "As operações não estão relacionadas mas, antes de mais nada, queríamos ter certa a estrutura de capital para o Maranhão."

Nessa linha, a Suzano deve definir até fim de março a composição acionária da Suzano Energia Renovável. É certo que a companhia terá sócios, porém a estrutura ainda não está detalhada. Para o Conpacel, vai utilizar exclusivamente recursos do caixa. "Temos liquidez para isso", diz Maciel. Recentemente, a companhia voltou, após 15 anos, ao mercado internacional de dívida e levantou US$ 650 milhões em notas, embora tenha encontrado demanda para US$ 3 bilhões.

(Stella Fontes | Valor)

 

 

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