Telebrás monta ‘operação de guerra’

Telebrás quer "iluminar" 10 mil quilômetros de fibra óptica pelo país até dezembro. O plano é fechar contratos com pelo menos 200 provedores de acesso, que por sua vez vão oferecer para a população um link a partir de 1 Mbps por 35.

As metas fazem parte do projeto desenhado pelo novo presidente da Telebrás, Caio Bonilha, que assumiu o comando da estatal há duas semanas. "Vamos começar a viver uma revolução silenciosa no mercado de internet. A Telebrás vai mexer profundamente com esse setor", disse, em entrevista ao Valor.

Com perfil executivo, Bonilha diz que instituiu um conjunto de metas de vendas para sua equipe comercial. O alvo continua a ser os provedores de internet. A empresa tem um cadastro com cerca de 400 interessados em contratar sua rede, entre pequenos provedores e prefeituras. "Temos 2.328 provedores que disputam uma fatia de 10% do mercado. Os demais 90% do setor estão com cinco grandes operadoras", diz.

Bonilha ressalta o interesse da Telebrás em atrair a parceria das grandes teles para impulsionar o Programa Nacional de Banda Larga (PNBL), mas também deixa claro que o papel da estatal será o de regular o preço da internet no atacado: "Vamos entrar para regular o mercado mesmo. Faremos com que nossos concorrentes baixem o preço. Somos um agente de mudança nesse cenário."

Os pequenos provedores são responsáveis pela geração de 40 mil empregos diretos e 120 indiretos. A Telebrás vai operar com uma estrutura enxuta: tem cerca de 200 funcionários, dos quais 30 estão na área comercial. Para acelerar o fechamento de contrato com provedores, Bonilha diz que vai automatizar essa operação. "Não há muito o que negociar. Estamos oferecendo um programa social, que traz a mesma oferta para qualquer região do país."

Bonilha chegou à Telebrás em outubro. Foi convidado pelo ex-presidente da estatal, Rogério Santanna, para montar a divisão comercial da empresa. Em abril, conta ele, a Telebrás já estava com tudo pronto para começar a oferecer planos de venda para links de 512 Kbps, mas a ação foi abandonada após a decisão da presidente Dilma Rousseff de exigir o mínimo de 1 Mbps.

Para o executivo, a Telebrás será lucrativa ao vender seus links por um preço popular. "Nossa conta vai fechar. Estamos oferecendo preço baixo, mas a demanda é alta. Ganharemos em volume."

A União controla a Telebrás com 84% do capital. Os demais 16% estão pulverizados entre fundos e ações em bolsa. Decorrido um ano desde sua reativação, a Telebrás ainda não começou a funcionar. Bonilha diz que está montando uma "operação de guerra" para acelerar o processo. "Temos reuniões gerenciais de implantação diariamente. As coisas vão começar a acontecer."

Perguntado sobre o bloqueio dos recursos destinados à Telebrás, Bonilha afirma que o Tesouro começou a liberar paulatinamente os R$ 300 milhões destinados à empresa que estavam retidos. Com as equipes nas ruas, a Telebrás quer popularizar a oferta de um serviço que, até entre os provedores, havia dúvidas de que um dia acontecesse.

Quando a área comercial da Telebrás ligou para oferecer seus serviços para o Sadnet, o primeiro provedor a fechar contrato com a estatal, localizado em Santo Antônio do Descoberto (GO), o dono da a empresa achou que estava sendo vítima de um trote, conta Bonilha. "Ele só se convenceu depois que anotou o telefone e retornou a ligação para ver se era mesmo a Telebrás."

Para José Luiz Pelosini, diretor de telecomunicações da AmericaNet, a rede da Telebrás será uma opção para sua empresa ampliar a cobertura de rede, concentrada no Estado de São Paulo. Segundo o executivo, a presença da Telebrás ajudará a reduzir o custo da infraestrutura em localidades distantes, onde há pouca oferta. "As coisas parecem que vão andar mais rápidas com o Bonilha, por conta de seu perfil comercial", diz Marco Jordan, diretor de marketing e produtos da Transit Telecom. A operadora quer expandir para fora de São Paulo e para a área residencial com a infraestrutura da Telebrás. (Com Gustavo Brigatto, de São Paulo)

(André Borges | Valor)

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