TIM busca sócio para comprar fatia da Telefônica

BRASÍLIA – A TIM está à procura de um sócio brasileiro para se fortalecer frente aos gigantes que estão se formando no mercado brasileiro e se livrar do problema da participação cruzada da Telefônica na Vivo e na Telecom Italia, que controla a TIM no Brasil.

O anúncio da compra do controle total da Vivo pelo grupo espanhol só ocorreu há dois dias, mas, prevendo que esse imbróglio teria de ser resolvido a qualquer momento, executivos italianos procuraram o governo há cerca de seis meses, dizendo que estavam à procura de um sócio brasileiro, mas ainda não "tinham esse empresário", segundo uma fonte do setor.

Segundo a fonte, foram feitas tentativas com investidores do segmento de construção civil, mas a estratégia não foi bem-sucedida devido à preocupação dos empresários de entrar em uma área que exige capital intensivo. O governo brasileiro já avisou que não vai injetar dinheiro na TIM. "A TIM tem de resolver sozinha", disse a fonte.

Segundo ela, qualquer possibilidade de recebimento de recursos de bancos oficiais – do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Banco do Brasil ou Caixa, por exemplo – está descartada.

Uma das estratégias da Telecom Italia para manter suas operações no Brasil, segundo essa fonte, é recuperar a posição perdida na holding italiana em abril de 2007, quando a Telefônica adquiriu 46,18% da Telco que, por sua vez, controla 24,5% da Telecom Italia. Sem um investidor brasileiro no radar que pudesse capitalizar e tornar-se sócio da TIM, uma das opções seria a entrada da francesa Vivendi, que adquiriu no fim do ano passado a GVT. Desta forma, o novo grupo que se formaria poderia ofertar no Brasil pacotes convergentes de telefonia fixa, móvel, banda larga e TV por assinatura, competindo, assim, com Oi, Telefônica e o grupo Net/Embratel/Claro.

Restrições

Apesar de fontes do governo darem como certa a aprovação pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) da compra da parte da Portugal Telecom (PT) na Vivo pela Telefônica, sob a ótica de que "ninguém está sumindo do mercado" e que o que houve foi apenas uma "troca de cadeiras", fontes do mercado garantem que os concorrentes não agirão pacificamente, sobretudo o empresário mexicano Carlos Slim, dono da Claro e da Embratel.

O que se fala no mercado é que, ao adquirir o controle total da Vivo, a Telefônica teria de vender sua participação na Telecom Itália. Quando essa operação ocorreu, há três anos, a restrições imposta pela Anatel era de que o grupo espanhol não poderia atuar no Conselho de Administração da Telecom Italia. O órgão também exigiu a acesso às atas das reuniões para verificar se a empresa não estaria interferindo na gestão da TIM no Brasil. Especialistas porém, questionam a eficácia do mecanismo, sobretudo agora, quando a Telefônica não terá mais de compartilhar a Vivo com os portugueses.

A Anatel ainda precisa analisar a documentação que será enviada pelas empresas. Se o órgão regulador determinar que a Telefônica terá mesmo de sair da Telecom Italia, a grande dificuldade, segundo consultores do setor, seria encontrar quem estaria disposto a investir na TIM.

"A TIM tem crescido no segmento pré-pago em pequenas e médias empresas, mas tem perdido no pós-pago e em lucratividade. O fato é que ela cresce perdendo valor de clientes. E o endividamento da Telecom Italia é alto. Para atrair investidores, não é tão fácil", analisa um experiente analista do setor. Procurada pelo Estado, a TIM não se manifestou sobre o assunto.

(Karla Mendes | O Estado de São Paulo)

 

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